<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546</id><updated>2011-09-28T12:15:57.938-07:00</updated><title type='text'>Mapa d'água</title><subtitle type='html'>considerações gerais sobre ser uma ilha &lt;br&gt;
e estar no mundo</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>104</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-493706540038325769</id><published>2011-04-07T02:03:00.000-07:00</published><updated>2011-04-07T02:03:06.192-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.mapatemporario.tumblr.com/"&gt;mapatemporario.tumblr.com&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-493706540038325769?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/493706540038325769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=493706540038325769&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/493706540038325769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/493706540038325769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2011/04/mapatemporario_07.html' title=''/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-4150646809640390673</id><published>2011-04-07T02:02:00.000-07:00</published><updated>2011-04-07T02:02:12.678-07:00</updated><title type='text'>Sobre o link...</title><content type='html'>estarei fora por um tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tirei seis meses pra viajar por aí de carona. mochilão. é isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a única certeza é que em algum momento estarei em machu picchu. quando? bom...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aí pensei em entrar na internet de vez em quando pra alimentar o blog... é que escrever é meio que uma compulsão minha. e sei que vou ter vontade de mandar notícias, mesmo que seja nesta minha linguagem hiper-figurada de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas também tinha esse outro formato que eu estava com vontade de experimentar, o tumblr. o tumblr tem uma dinâmica própria, e me parece mais "arejado", por assim dizer (sim, sim, linguagem figurada). quero esse espaço pra eventuais imagens, músicas, citações,&amp;nbsp;textos curtos e&amp;nbsp;textos de&amp;nbsp;expressão mais direta - enfim, menos figurada. sei lá. e já que estou nessa de ir ver coisas novas, achei que a hora era agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o tumblr também tem a possibilidade de postar coisas retiradas de outros blogs,&amp;nbsp;o que&amp;nbsp;eu gosto. afinal, esse é o espírito, agora. &lt;em&gt;intercâmbio&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;claro, textos como os que publico por aqui também podem aparecer&amp;nbsp;por lá uma hora ou outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas estou completamente descompromissado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5% das pessoas pra quem eu contei sobre a viagem disseram:&lt;br /&gt;"é perigoso!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15% disseram&amp;nbsp;um simpático:&lt;br /&gt;"é a tua cara"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30% disseram:&lt;br /&gt;"tenho vontade de fazer uma coisa assim, mas não tenho coragem"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;50% disseram alguma coisa&amp;nbsp;parecida com:&lt;br /&gt;"me leva junto!"&amp;nbsp;(pô, &lt;em&gt;vamo&lt;/em&gt;!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minha mãe disse:&lt;br /&gt;"você &lt;em&gt;vai&lt;/em&gt; levar um celular!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o paraíba disse:&lt;br /&gt;"tudo isso acontecendo no mundo... e o ró vai dar uma volta"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-4150646809640390673?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/4150646809640390673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=4150646809640390673&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4150646809640390673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4150646809640390673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2011/04/sobre-o-link.html' title='Sobre o link...'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-7240338498702585141</id><published>2011-04-02T08:02:00.000-07:00</published><updated>2011-04-02T08:02:43.028-07:00</updated><title type='text'>E esta é a história toda</title><content type='html'>Eu andava pelas ruas de uma dimensão inferior à procura do meu anjo perdido, e eu sei que ele queria ser encontrado porque me deixou sinais pichados nos muros e eventualmente fazia nevar luz para que eu me lembrasse dele, mas tudo estava tão confuso que eu estava morrendo de medo de nunca mais conseguir voltar definitivamente à superfície. Conseguia fazê-lo, ainda, por não mais que duas ou três horas por dia, tempo em que eu resolvia as questões mais urgentes do escritório e transferia responsabilidades banais como pagar contas de água, luz e telefone para a secretária do meu primo, uma quarentona russa que continuava apaixonada por mim três anos depois do nosso romance tórrido de duas semanas. Então eu era tragado de novo para aqueles cenários desertos e apocalípticos em que o meu anjo aparentemente estava achando muito divertido brincar de se esconder - e nisso tinham se passado quatro meses, o que me colocava numa situação muito difícil no escritório (mas porra, era o &lt;em&gt;meu anjo&lt;/em&gt;: o que mais eu poderia ter feito?!) Eu tentava interpretar as pegadas na poeira, os pedaços de tecido celestial que ficavam presos nos arbustos e aqueles símbolos sem nenhum sentido que ele pichava nos muros; mas não estava dando certo, e eu estava começando a ficar realmente preocupado. Até que um dia uma senhora cega bateu no meu ombro, apontou em direção a uma casa de madeira caindo aos pedaços e em seguida desapareceu num redemoinho sinistro de papel queimado. Claro, isso me fez pensar em ir para qualquer lugar &lt;em&gt;exceto&lt;/em&gt; aquela casa, mas afinal era a primeira coisa relevante que me acontecia em quatro meses, então achei que não custava nada tentar. Quer dizer, talvez custasse a minha vida. Mas não custava nada tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase desisti logo no hall de entrada, porque dei de cara com um maldito hippie tocando a marcha fúnebre com uma flautinha de bambu e me encarando com uns olhos injetados de puro ódio. Fiquei ali parado por um tempo, esperando para ver se ele não ia dar um&amp;nbsp;pulo e cravar na minha jugular a adaga de bronze que - não sei bem como - eu &lt;em&gt;sabia&lt;/em&gt; que ele guardava escondida na bolsa junto com os pacotinhos de ervas. Mas ele não se moveu, então eu avancei - sem desviar o olhar, claro - até que entrei em um corredor escuro e a porta atrás de mim se fechou sozinha com um som de gelar a alma. Cara, acho que andei naquele corredor por umas quinze horas, e estava escuro feito um breu. Juro que, lá pelas tantas, ouvi alguém bufando ao meu lado e senti um cheiro forte de pelo de cabra; mas não perguntei quem era, porque era melhor não saber. Até que dei de cara com uma porta de vidro - quer dizer, só quando finalmente abri meus olhos foi que eu vi que a porta era de vidro. E lá do outro lado estava rolando a festa mais insana e lisérgica de todos os infernos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senha? - perguntou uma voz arrastada e incorpórea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ãhn... - hesitei. Não queria ficar devendo favor para nenhuma daquelas gentes. Mas já não tinha volta, então achei melhor dizer logo a verdade: - Só estou aqui procurando pelo meu anjo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo girou à minha volta, e num instante eu me vi num sótão muito limpo e organizado, todo decorado com móveis vitorianos, e diante de mim estava um homem que lembrava o Jeff Bridges segurando um copo de uísque e me olhando com um misto de raiva e incredulidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você ousa?! - ele vociferou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estalou os dedos, e na parede atrás dele apareceu uma reprodução gigantesca deste quadro do Magritte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-BXlct50RpqM/TZc3cG585EI/AAAAAAAAAFE/KU8DHp1O50o/s1600/magritte.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" r6="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-BXlct50RpqM/TZc3cG585EI/AAAAAAAAAFE/KU8DHp1O50o/s200/magritte.jpg" width="155" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Isto&lt;/em&gt; é um anjo - berrou o cara, apontando para o reflexo do espelho, e a sua voz estava cheia de mágoa e de desprezo. Ele esvaziou o copo em um só gole e o arremessou contra o quadro do Magritte, que desapareceu no mesmo instante. Então olhou para mim outra vez e perguntou com raiva: - Você tem ideia de quantos &lt;em&gt;séculos&lt;/em&gt; eu desperdicei nessa procura inútil?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria responder que ele estava perdidamente enganado, que eu conhecia muito bem o meu anjo e que ele não era nada daquilo, mas de repente me deu uma vontade incontrolável de rir e num instante eu estava rolando no chão às gargalhadas, dando socos no tapete e quase às lágrimas - mal percebi quando o tapete foi lentamente se transformando em um gramado e a penumbra do sótão foi cedendo à claridade quente de um sol de janeiro; mal percebi que ia aumentando o som dos pássaros que cantavam à minha volta; mal percebi que ao meu lado havia outro corpo e que ele tinha um cheiro adocicado de hortelã e morango; mal percebi, mas toda a minha alma de repente estava se sentindo em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo amor de Deus, anjo - eu disse quando consegui parar de rir. - Jeff Bridges?! Magritte?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anjo deu um tapa de leve no meu braço, olhou para o céu com um sorriso meio menino e disse com a voz melodiosa de Toda a Serenidade do Universo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você também me mata...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-7240338498702585141?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/7240338498702585141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=7240338498702585141&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7240338498702585141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7240338498702585141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2011/04/e-esta-e-historia-toda.html' title='E esta é a história toda'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-BXlct50RpqM/TZc3cG585EI/AAAAAAAAAFE/KU8DHp1O50o/s72-c/magritte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-3625123716569651947</id><published>2011-03-25T20:45:00.000-07:00</published><updated>2011-03-25T20:45:34.063-07:00</updated><title type='text'>Do not disturb</title><content type='html'>Já vivi meus dez anos a mil.&lt;br /&gt;Já vivi meus mil anos a dez.&lt;br /&gt;Agora eu quero andar só um pouco acima do limite&lt;br /&gt;E aproveitar a paisagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-3625123716569651947?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/3625123716569651947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=3625123716569651947&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/3625123716569651947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/3625123716569651947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2011/03/do-not-disturb.html' title='Do not disturb'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-7206412213938471374</id><published>2011-03-21T12:53:00.000-07:00</published><updated>2011-03-21T12:57:46.478-07:00</updated><title type='text'>Um pouco mais de caos antes de ir</title><content type='html'>Foi-se o tempo em que eu acreditava que em alguma fonte humana eu beberia água limpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E repeti por muito tempo, antes de abrir a porta, aquele envergonhado "não repare a bagunça" - mas bem que eu tentei, Deus sabe que eu tentei lavar os azulejos; agora qualquer coisa serve, qualquer vento serve se você não sabe pra onde vai mas já não quer ficar parado; não repare a bagunça, estou fazendo de propósito: depois que começaram a implicar com minhas frases de efeito anunciei bem alto na saída da faculdade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Encontrei um fio solto em um cantinho do Universo e decidi puxar, só pra ver se desfia o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, fiz uma lista de coisas que me entristecem; me lembrei de sonhos em que eu mergulhava na mais absoluta solidão; joguei tudo pro alto e arrisquei ser mais sincero; agora&amp;nbsp;estou bem, mas fiquei um pouco chateado. Abro o caderno em um antigo conto: um cara terminando com a namorada em pleno sábado de carnaval, sentados à portaria de um prédio a algumas quadras da Avenida do Samba; ela um pouco bêbada e com os olhos cheios de lágrimas não percebe de imediato que a risada ecoando pela rua não veio do namorado, mas de um grupo de rapazes que está passando por ali; "o que é isto agora?", ela pergunta irritada; "é&amp;nbsp;um exército romano", explica o namorado; a menina enxuga os olhos, avista os rapazes e percebe o resto de sua lucidez se esvaindo enquanto só lhe resta murmurar espantada: "não é que é mesmo?!"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Inteligência é transformar informação em conhecimento - disse o meu pai um dia desses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E sabedoria, pai, o que é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai baixou os olhos, refletiu por um instante e concluiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabedoria é quando, depois de&amp;nbsp;transformar informação em conhecimento, a gente atravessa o rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, Deus, não é que é mesmo?!... Não cabe toda a minha roupa na mochila, nem me agrada muito a perspectiva de encontrar um paraíso abarrotado de turistas, máquinas fotográficas e informações enciclopédicas, mas lá vou eu com o começo do outono, porque me assustei quando acordei e vi&amp;nbsp;que&amp;nbsp;estava ficando tarde. Contei meus planos pra um aluno amigo e no dia seguinte ele me disse: "fiquei triste, não consegui dormir direito; por que você vai embora?" - mas o meu coração guardava o mais devastador e delicado silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não era a ponta solta do Universo", eu deveria ter dito. "Era uma tapeçaria perfeita falsificando um limite". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem, amigos. Mas eu já estava do outro lado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-7206412213938471374?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/7206412213938471374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=7206412213938471374&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7206412213938471374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7206412213938471374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2011/03/um-pouco-mais-de-caos-antes-de-ir.html' title='Um pouco mais de caos antes de ir'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-1552686855398839617</id><published>2011-03-17T10:20:00.000-07:00</published><updated>2011-03-17T21:52:33.360-07:00</updated><title type='text'>Um pouco mais que só palavras</title><content type='html'>O homem que te escreve agora, garota, não procura abrigo nem reclama mais da sede ou do cansaço de uma longa caminhada pelo inferno; as cicatrizes invisíveis, aquelas que eu cantava com revolta ou desespero, já não guardam a dor do instante em que surgiram mais do que alimentam meu orgulho por haver sobrevivido a elas; o homem que te escreve agora, garota, é um voluntário para a prisão do teu amor porque dispõe livremente do próprio caminho, e está aqui fora com a mesma paixão pelas coisas com que estaria em teus braços - não te peço um rumo, o esquecimento ou uma razão para a jornada que afinal já sei obedecer e desejar: estou aqui, garota, porque de todas as coisas que já vi e provei no mundo nada me pareceu mais belo que esse teu olhar, que é como uma lembrança de Deus; estou aqui porque encontrei o que eu estive procurando desde o início, e porque reconheço enfim que valeu a pena cada eternidade de angústia e de desesperança - porque eu não estava errado, porque você existe, e saber disso basta. Não me entenda mal: você não é menos livre do que eu para fechar a porta ou dizer que nada disso te interessa agora, que eu volte mais tarde ou nunca mais diga o teu nome em voz alta - eu não espero que você abra mão da própria liberdade; já é parte do que eu sou cada momento que passamos juntos, a memória ainda quente das tardes de sol em que nos pertencemos quase sem notar, os gestos e palavras de afeto que reacenderam no meu coração envelhecido a luz incontrolável daqueles que acabaram de nascer. Eu te amo, e nada disso&amp;nbsp;faz pedidos: é só a verdade que eu te entrego agora; mas mesmo entregue ela continua sendo minha, e permanece a mesma. O homem que te escreve agora, garota, te escreve porque viu se renovarem suas asas e percebe que é o momento da pergunta: vem comigo? Eu quero.&amp;nbsp;Ou eu&amp;nbsp;te levo na alma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-1552686855398839617?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/1552686855398839617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=1552686855398839617&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1552686855398839617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1552686855398839617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2011/03/um-pouco-mais-que-so-palavras.html' title='Um pouco mais que só palavras'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-7116388228923180338</id><published>2011-02-25T03:19:00.000-08:00</published><updated>2011-02-25T20:15:53.062-08:00</updated><title type='text'>Represa</title><content type='html'>Num universo paralelo, mas aqui, às margens do nosso, ficaram palavras não ditas e o brilho dos olhos, ficou um sorriso sincero, ficou a ternura que se gastou na luta. Num universo paralelo, aqui dentro, há todo esse mar contido pela solidez das horas, por um salário mais alto, por uma ideia oca de maturidade. Em outra dimensão, sem conseguir atravessar a fortaleza fria da realidade, arde um desejo caloroso e limpo de criar, de ver crescer e de crescer em segurança, iluminado, vivo; e soterrado, assim, pelos entulhos de uma sobriedade estéril, adormeceu o sonho de permanecer sonhando - mas no vazio dos cofres, nas fendas do asfalto, nos intervalos entre as senhas dos balcões de atendimento escapa às vezes o seu hálito de sonho, o líquido invisível que enverniza a matéria; e sem que o saibamos, e sem que a matemática permita, é esse universo oculto de esperanças ingênuas que nos move, que nos alimenta, e que nos lança cada vez mais perto de uma coisa que buscamos sem sequer nos recordar: alguma coisa como um lar perdido, como uma paz impossível, como o alívio quase imerecido de&amp;nbsp;ser&amp;nbsp;afinal perdoado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-7116388228923180338?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/7116388228923180338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=7116388228923180338&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7116388228923180338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7116388228923180338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2011/02/represa.html' title='Represa'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-2471287567529851716</id><published>2011-02-12T17:44:00.000-08:00</published><updated>2011-02-13T05:35:20.575-08:00</updated><title type='text'>Jornada</title><content type='html'>&lt;strong&gt;1. A cabeça encostada na janela do ônibus&lt;/strong&gt;, chove lá fora e não sei se estou triste por estar longe de casa ou por achar que nunca a tive. O mundo dá voltas, corre o asfalto sob o meu corpo imóvel e faz um frio&amp;nbsp;insuportável&amp;nbsp;em todos os lugares. Parado diante de um guichê na próxima rodoviária, eu ficaria eternamente sem sequer me perguntar "pra onde, agora?", porque a vida é muito assustadora&amp;nbsp;na modalidade&amp;nbsp;de poder ser tudo. Ser livre&amp;nbsp;é desgastante; mas não adianta,&amp;nbsp;não consigo&amp;nbsp;dormir em viagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Leio uma história didática chamada &lt;em&gt;Educação ou Culpa&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, meio boba até, mas com uma capa bonita de couro verde e detalhes em dourado. Um menino vai passar as férias de verão com a família de um padrinho,&amp;nbsp;e&amp;nbsp;logo nos primeiros dias quebra um vaso da sala em uma brincadeira. O padrinho proíbe todo mundo de se aproximar dos cacos; o menino&amp;nbsp;entende que é pra que ele não se esqueça de&amp;nbsp;ter sido&amp;nbsp;irresponsável e&amp;nbsp;saiba se&amp;nbsp;comportar melhor dali pra frente. Os dias seguintes vêm em clima de tortura psicológica: ninguém mais fala sobre o assunto, mas o menino percebe que todos o observam de canto e acha que sua presença ali já não é muito bem vinda. A culpa pelo acidente com o vaso atinge um grau de delírio na noite em que a filha do padrinho cai sobre os cacos e se machuca seriamente. Naquela noite, quando todos dormem, o menino vai em transe até a sala e começa a retalhar o próprio corpo. Sangra até perder os sentidos; acorda na manhã seguinte com o padrinho ao seu lado em um quarto de hospital. E&amp;nbsp;finalmente pede desculpas, chora, explica-se, faz sua catarse. O homem não responde, meio constrangido e fragilizado, o que desperta uma raiva&amp;nbsp;inesperada no menino: "Por quê", ele explode então, "por que você fez questão de deixar os cacos na sala?". O homem passa a mão pela testa, hesita, depois responde como se pedisse desculpas por ter tido uma ideia&amp;nbsp;idiota: "Eu deixei lá pra que você varresse".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. No quarto de um hotel barato na beira da estrada&lt;/strong&gt;, tentando colocar ordem no caos. A luz é tão fraca que mal consigo enxergar&amp;nbsp;o meu rosto do outro lado do espelho. E tenho ainda uma longa caminhada. Desenho uma runa com o canivete no tampo da escrivaninha: &lt;em&gt;Nauthiz&lt;/em&gt;,&amp;nbsp;situações&amp;nbsp;perigosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Pensar que um dia estivemos completos&lt;/strong&gt;, na infância talvez, seria o mesmo que dizer que ao longo da vida só o que fazemos é perder pedaços, ir apagando aos poucos. Não quero, não posso pensar assim; preciso seguir adiante, agora, sem nem perguntar o nome daquilo que se perde. Alguma coisa terá que morrer, eu sei. Mas outra coisa espera pra ser conquistada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. Pela janela do quarto, ouço a voz da Alice&amp;nbsp;de Lewis Carroll num terreno baldio:&lt;/strong&gt; "Não, já decidi: se sou Mabel, vou ficar aqui embaixo! Não vai adiantar nada eles enfiarem as cabeças para baixo e dizerem: 'Venha para cima querida!'. Vou olhar para cima e dizer: 'Quem eu sou então? Primeiro me digam isso, e depois, se eu não gostar, vou ficar aqui embaixo até ser outra pessoa'..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6. Muito antes de eu ter me tornado um Mago&lt;/strong&gt;, já tinha ouvido algumas lendas sobre a Flor de Vidro: uma peça mágica tão poderosa que daria àquele que a possuísse tudo de que ele sente falta. Dediquei muitos anos à sua procura, ridicularizado pelos meus irmãos, eu mesmo muitas vezes duvidando seriamente de sua existência; até que a encontrei, nem tão escondida assim, no porão de uma casinha próxima ao farol de Blavand, na Dinamarca. Por sorte, antes que eu a tomasse com um gesto de triunfo, reparei em um bilhete envelhecido do seu lado: a Flor de Vidro é extremamente frágil, e ainda não está pronta. Ela precisa ser banhada em um lago branco que&amp;nbsp;não sei onde fica, e só depois disso é que estará de posse dos seus plenos poderes. E foi assim que a minha bênção se tornou maldição: agora mal consigo dar um passo sem temer que ela se quebre, e que esteja perdida assim a minha única chance de ter tudo o que me falta. Uma ansiedade louca, um pavor quase incontrolável vigia os meus gestos. Antes de me dar os paraísos que eu quero, a Flor de Vidro me oferece o inferno do mais absoluto medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7. "Mas se eu vencer esse medo"&lt;/strong&gt;, eu me pergunto, "não estarei conquistando em mim mesmo tudo o que me falta?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-2471287567529851716?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/2471287567529851716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=2471287567529851716&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2471287567529851716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2471287567529851716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2011/02/jornada.html' title='Jornada'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-4718814003170566460</id><published>2011-02-11T21:11:00.000-08:00</published><updated>2011-02-12T07:09:07.913-08:00</updated><title type='text'>Para as horas mais tristes</title><content type='html'>Solte o tempo e mergulhe.&lt;br /&gt;Cada imagem é um universo completo.&lt;br /&gt;Eis aqui&amp;nbsp;os meus: rosa branca, &lt;br /&gt;araçá, &lt;br /&gt;uma tarde na cascata&lt;br /&gt;e&amp;nbsp;o nome de um poema antigo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Acorda, Estrela&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solte o tempo e me abrace.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-4718814003170566460?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/4718814003170566460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=4718814003170566460&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4718814003170566460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4718814003170566460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2011/02/para-as-horas-tristes.html' title='Para as horas mais tristes'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-3090151410536299625</id><published>2011-01-31T21:15:00.000-08:00</published><updated>2011-01-31T21:38:18.118-08:00</updated><title type='text'>Blivet</title><content type='html'>Decidi que estava na hora de encarar o problema de frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei um tempo só olhando, desconfiado.&amp;nbsp;Então&amp;nbsp;o revirei, analisei cada parte, identifiquei&amp;nbsp;seu mecanismo.&amp;nbsp;Insatisfeito, estudei teorias, formulei outras, testei diversas metodologias e técnicas de abordagem. Desvendei&amp;nbsp;segredos que&amp;nbsp;sequer se imaginava que&amp;nbsp;existiam. Atingi profundidades nunca antes visitadas. Dominei a coisa toda.&amp;nbsp;Apossei-me dela. Hoje conheço o meu problema melhor do que qualquer ciência. E&amp;nbsp;finalmente concluí, sem a menor sombra de dúvida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não&amp;nbsp;sei&amp;nbsp;onde&amp;nbsp;fica&amp;nbsp;a&amp;nbsp;frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-3090151410536299625?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/3090151410536299625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=3090151410536299625&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/3090151410536299625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/3090151410536299625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2011/01/blivet.html' title='Blivet'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-8026272783193016488</id><published>2011-01-28T18:22:00.000-08:00</published><updated>2011-01-28T21:55:15.912-08:00</updated><title type='text'>Soundtrack</title><content type='html'>Um vento, um fim de tarde, a chuva que se armava sobre os plátanos, mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde navegando em blogs de desconhecidos, expressões desperdiçadas, um tempo diante de um desenho postado por Diana às 15:38 no dia 17 de novembro de 2009 com o texto: "Desde lá, quando comecei&amp;nbsp;a dar face ao sonho, desde lá, quando comecei a dar ouvido às expectativas!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvindo:&lt;br /&gt;- The Outfield, &lt;em&gt;I don't wanna lose your love tonight&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- The Pretenders, &lt;em&gt;I'll stand by you&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Semisonic, &lt;em&gt;Secret smile&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Foreigner, &lt;em&gt;Waiting for a girl like you&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Peter Frampton, &lt;em&gt;Baby, I love your way&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado em um banco sob os plátanos, esperando pela chuva, até que uma menina resolveu parar a uns poucos metros de mim pra terminar um namoro pelo celular - você não acredita, mas eu juro que conheço o cara com quem ela falava - ei, dá pra ir odiar alguém lá do outro lado? Eu ia bem sem os seus dramas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem dei um beijo sob a chuva... Não, não quero falar sobre isso (por que é que chove tanto no verão, por que é que de repente fez tanto calor dentro do carro?!) Hoje eu quis baixar &lt;em&gt;A Dama e o Vagabundo&lt;/em&gt;, hoje eu não tive aula, hoje eu me castiguei sob um sol de quarenta graus espalhando terra nova no jardim dos outros&amp;nbsp;mas não me importava, só queria &lt;em&gt;muito&lt;/em&gt; uma coca-cola. Estou um pouco entediado. Mas um letreiro imenso de neon na pedra negra do meu peito: &lt;em&gt;Não se pode telefonar para a Penélope a uma hora dessas&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu me pergunto: qual é o &lt;em&gt;verdadeiro&lt;/em&gt; jazz? Pra que serve o blues, quem afinal ainda se importa com a bossa-nova?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do blog &lt;em&gt;Uma música por dia&lt;/em&gt;: "Fiquei sem entender o fato até este final de semana, quando assisti ao documentário &lt;em&gt;Só dez por cento é mentira&lt;/em&gt; e Manoel de Barros explicou-me o acontecido: 'ontem choveu no futuro'".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, todas as canetas bic do mundo pararam de funcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou embora, eu não amo ninguém, me deixe ir, eu amo&amp;nbsp;muita gente&amp;nbsp;(eu sou um marciano do Bradbury, enlouquecendo em um cais porque é da sua natureza se transformar&amp;nbsp;naquilo que a outra pessoa quer ver mas de repente é muita gente querendo muita coisa, muito Marte, muito mar) me deixe ir, não posso mais, &lt;em&gt;nunca gostei de The Pretenders e você sabe disso, não, garota?!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se você não entrar naquele avião, você vai se arrepender", bla bla bla bla, reveja &lt;em&gt;Casablanca&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou um cínico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu estava em paz, eu estava tão longe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo tão quieto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a&amp;nbsp;noite e a chuva desabavam sobre os plátanos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-8026272783193016488?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/8026272783193016488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=8026272783193016488&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8026272783193016488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8026272783193016488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2011/01/soundtrack.html' title='Soundtrack'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-2175265874379340003</id><published>2011-01-22T00:32:00.000-08:00</published><updated>2011-01-22T11:15:32.471-08:00</updated><title type='text'>O espelho negro</title><content type='html'>Porque vocês também esperam que nós, filhos da noite, estejamos velando o seu sono. E quando todos os castelos ruírem, e quando todos os caminhos despencarem num abismo vocês pensarão em nós&amp;nbsp;com a cabeça erguida e poderão gritar: "Não sou &lt;em&gt;assim&lt;/em&gt;; não&amp;nbsp;sei sofrer, sou forte". E deixarâo à nossa voz o grito de socorro, e escutarão as nossas músicas dissolvendo&amp;nbsp;a&amp;nbsp;sua tristeza&amp;nbsp;em algum andar subterrâneo&amp;nbsp;de suas almas enquanto vocês vestem suas melhores roupas para festas e repetem a si mesmos que a vida já é difícil demais para se desperdiçar qualquer tipo de arte com um sofrimento adolescente; e vocês nunca dirão "obrigado", e nós seguiremos cantando. Porque vocês precisam de fantasmas como nós vasculhando as ruas pela madrugada para que&amp;nbsp;esse&amp;nbsp;medo que vocês têm deles&amp;nbsp;fortaleça o&amp;nbsp; paraíso caro&amp;nbsp;de suas convenções irrefletidas; porque sem a nossa&amp;nbsp;fúria o seu amor que sempre vence orgulhoso no final&amp;nbsp;jamais teria inimigos,&amp;nbsp;e soaria&amp;nbsp;tão bobo e desinteressante quanto um cupido que&amp;nbsp;atirasse papeizinhos coloridos no lugar de flechas; porque vocês nos pedem sem querer, quando tentam&amp;nbsp;evitar a horrível&amp;nbsp;impressão&amp;nbsp;de estarem andando em círculos há&amp;nbsp;séculos, desesperadamente vocês pedem que poetas, bêbados, loucos e crianças&amp;nbsp;cheguem com notícias&amp;nbsp;lá de&amp;nbsp;fora -&amp;nbsp;mas vocês precisam nos odiar para que nenhum de nós queira ficar em casa muito tempo; e é só assim que o mundo&amp;nbsp;segue adiante, meio às tontas,&amp;nbsp;ao mesmo tempo em que&amp;nbsp;vocês&amp;nbsp;conseguem preservar&amp;nbsp;a&amp;nbsp;memória idólatra&amp;nbsp;dos seus vencedores a uma distância&amp;nbsp;segura, lavando as mãos&amp;nbsp;para o agora, protegidos de todos os riscos em trabalhos infrutíferos&amp;nbsp;cada vez mais burocráticos, acenando à distância para&amp;nbsp;nós, &lt;em&gt;nós&lt;/em&gt;: os vagabundos marginais, nós que talvez tenhamos sido os&amp;nbsp;seus mais queridos&amp;nbsp;amigos de infância, mas que não demos certo; nós que nos perdemos, nós que fracassamos, nós que ficamos para trás apenas para lhes dar esta medida exata do alcance das vaidades que vocês&amp;nbsp;"não têm".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-2175265874379340003?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/2175265874379340003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=2175265874379340003&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2175265874379340003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2175265874379340003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2011/01/o-espelho-negro.html' title='O espelho negro'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-1049210428249585275</id><published>2011-01-12T18:50:00.000-08:00</published><updated>2011-01-12T18:50:19.279-08:00</updated><title type='text'>Chegada</title><content type='html'>Parece que faz tanto tempo;&lt;br /&gt;nada mudou no trajeto:&lt;br /&gt;anseios &lt;br /&gt;de quando éramos livres&lt;br /&gt;retornam agora com as ondas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te quero&lt;br /&gt;- e isso é bom que se diga -&lt;br /&gt;muito mais do que o necessário.&lt;br /&gt;E este excesso&lt;br /&gt;fica emperrado nos vãos&lt;br /&gt;do que me move.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece&lt;br /&gt;que tudo o que era doce se fez sólido&lt;br /&gt;e por isso improvável.&lt;br /&gt;Parece.&lt;br /&gt;Parece que nunca nos alcançaremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas hoje,&lt;br /&gt;enquanto as ondas e a brisa dançarem&lt;br /&gt;suaves,&lt;br /&gt;meninas da noite, eu,&lt;br /&gt;homem sóbrio&lt;br /&gt;- hoje,&lt;br /&gt;depois de tudo o que passei -&lt;br /&gt;estarei dormindo, afinal,&lt;br /&gt;ainda mais criança&lt;br /&gt;do que no princípio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-1049210428249585275?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/1049210428249585275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=1049210428249585275&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1049210428249585275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1049210428249585275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2011/01/chegada.html' title='Chegada'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-5436743953823680035</id><published>2010-12-29T10:41:00.000-08:00</published><updated>2011-01-17T22:39:03.994-08:00</updated><title type='text'>Diversos</title><content type='html'>Tenho sonhado com pessoas com quem eu me importo muito, e tenho a impressão de que nenhuma delas sabe que&amp;nbsp;me refiro a elas quando&amp;nbsp;digo "pessoas com quem&amp;nbsp;eu me importo muito".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vontade: gritar os nomes, um por um, de todas as&amp;nbsp;pessoas que eu amo, e dizer a cada&amp;nbsp;uma delas&amp;nbsp;exatamente como e por que me importo com elas e exatamente como e por que as amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida passa depressa, nossa coleção de momentos&amp;nbsp;na memória vai aumentando&amp;nbsp;e a gente já não dá conta de continuar agradecendo a todos que, algum dia, de alguma forma (talvez pelo simples fato de terem cruzado nosso caminho) mudaram para sempre ou até mesmo salvaram a&amp;nbsp;nossa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas espere: vou deixar este texto ainda mais parecido&amp;nbsp;com aquelas coisas que&amp;nbsp;nos fazem chorar em&amp;nbsp;apresentações de Power Point com fotografias de filhotes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que, um belo dia, alguma coisa ou pessoa com que você se importa simplesmente não vai estar lá quando você procurar.&amp;nbsp;E é&amp;nbsp;assim e pronto, e ninguém tem culpa de coisa nenhuma, só acontece. Aí você se pergunta: Por que eu não aproveitei isso?, ou Por que eu não falei o que eu sentia?, ou qualquer coisa assim que serve pra gente se torturar nas horas vagas. E como o tempo não volta, sei lá, você começa a achar que nunca mais&amp;nbsp;vai gostar de alguém ou alguma coisa por uma porção de bobagens do tipo: a)&amp;nbsp;"eu &lt;em&gt;não mereço&lt;/em&gt; porque não aproveitei da outra vez" ou b)&amp;nbsp;"já que eu não aproveitei, agora pelo menos eu vou &lt;em&gt;honrar a memória&lt;/em&gt; do que eu amava me recusando a colocar qualquer outra&amp;nbsp;coisa ou pessoa&amp;nbsp;em seu lugar", etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, nem era nada disso que eu queria dizer quando entrei no blogger hoje. Eu queria falar de umas decisões que eu tomei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas promessas, não: duas certezas&amp;nbsp;de ano novo: em 2011 eu vou saltar de para-quedas e conhecer a neve. Claro, isso de conhecer a neve&amp;nbsp;é pura inveja de quem ainda pode dizer "Um dia eu vou conhecer o mar", e eu sei que nem é&amp;nbsp;tão&amp;nbsp;legal assim&amp;nbsp;falar em&amp;nbsp;"conhecer a neve",&amp;nbsp;além de ser bem mais&amp;nbsp;frio, mas eu quero e pronto&amp;nbsp;e nada disso está aberto para discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já que entrei no assunto, aqui vai mais uma:&amp;nbsp;eu vou dizer, a cada uma das pessoas que eu amo, de alguma forma (a mais direta possível), sempre que tiver a oportunidade, eu vou dizer às pessoas que eu amo que eu as amo e juro por Deus que não vou me sentir nenhum idiota&amp;nbsp;fazendo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e se eu mudar de ideia, vai ser só pra exercitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque no fim das contas o&amp;nbsp;amor não muda nunca: só se distrai disso ser um tédio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-5436743953823680035?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/5436743953823680035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=5436743953823680035&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/5436743953823680035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/5436743953823680035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/12/diversos.html' title='Diversos'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-4829234355078623778</id><published>2010-11-29T03:56:00.000-08:00</published><updated>2010-11-29T03:56:36.648-08:00</updated><title type='text'>Espectro</title><content type='html'>No começo era brincadeira. Perguntar em que ano estamos, em qual dimensão, a que espécie pertencemos. Ríamos, e eu guardava um orgulho infantil por me sentir diferente. Do mundo. De tudo nele que eu desprezo. Em algum momento&amp;nbsp;as dúvidas&amp;nbsp;deixaram de ser brincadeira. Meu espírito se desprendeu, começou a vagar e a se dissolver no infinito. Eu tenho olhos de que cor? Nos mesmos bares de sempre, nas mesas do escritório ou&amp;nbsp;escovando os dentes: de repente havia uma diferença substancial entre a realidade e eu. Não era triste. Nem era bom. Era estar de volta a uma Terra ancestral, num tempo em que a atmosfera não permitia ainda a diferenciação de cor e tudo era uma grande pasta cinza. Houve esse tempo, sim. Como haverá o tempo em que o sol terá engolido o nosso mundo, um sol envelhecido e já cansado, um mundo sem mais vestígios da nossa civilização. Estas mãos, quantos dedos elas têm? Eu era feliz acreditando em coisas bobas como a felicidade. Hoje - mas hoje &lt;em&gt;quando&lt;/em&gt;? - eu ando pelas ruas entre ruídos de corpos e de máquinas vivendo alguma coisa que eu não sei o que é, vagamente durando,&amp;nbsp;musicado&amp;nbsp;por&amp;nbsp;paixões e&amp;nbsp;pensamentos que a cada instante são outros, inutilmente sob um mesmo nome. O amor, o que ele é, que relação terá com este músculo&amp;nbsp;em meu&amp;nbsp;peito&amp;nbsp;feito de metáfora batida? Projetos. Memórias. Tudo se desfez num sopro. E tudo existe ao mesmo tempo,&amp;nbsp;agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-4829234355078623778?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/4829234355078623778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=4829234355078623778&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4829234355078623778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4829234355078623778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/11/espectro.html' title='Espectro'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-7309979483281424342</id><published>2010-11-07T21:15:00.000-08:00</published><updated>2010-11-07T21:15:52.780-08:00</updated><title type='text'>Entender estrelas</title><content type='html'>Eu queria dizer "nunca mais eu quero ver você", ou qualquer coisa assim melodramática, mas ela estava ali me olhando com aquele sorriso de dar raiva, o cabelo solto, o pijama azul meio masculino e o cheiro leve de um sabonete de amêndoas. Era quase meia-noite e parecia até que ela estava feliz com a minha visita, então eu pedi licença para acender um incenso de... hmm... laranjeira?... e fui me sentar na poltrona que ficava entre o aquário e o abajur de tela verde - as únicas fontes de luz em toda a sala. Você se lembra da primeira vez que eu fui ao Sarau dos Sete Ventos, será que algum dia eu vou ser perdoado por ter escolhido o soneto mais óbvio do Olavo Bilac? "Eu nunca teria voltado se não fosse por você", eu quis acrescentar, ou qualquer coisa assim que valesse finalmente como confissão, mas deixei que ela risse e tentasse me acalmar dizendo que teria sido muito pior se eu declamasse o &lt;em&gt;Soneto de Fidelidade&lt;/em&gt;. A culpa era daquele nome ingênuo - "Sarau dos Sete Ventos" - que me fez pensar que o melhor que eu ouviria ali seria o-poema-que-escrevi-ontem-à-noite-sobre-a-minha-solidão-neste-mundo-insensível. Eu a desejei assim que ela subiu ao palco para um poema de Safo - todos ali já sabiam que ela gostava de garotas, mas eu não, e ela era uma garota, e afinal eu também gostava de garotas. Ficamos amigos, frequentamos juntos todos os cinemas e museus e teatros e clubes de strip-tease da cidade. Você se lembra daquela exposição de arte contemporânea, daquela sala branca em que eles projetavam sobre cada pessoa a imagem de um quadro famoso; você se lembra de como você riu quando percebeu que você era &lt;em&gt;O Nascimento de Vênus&lt;/em&gt; e eu era &lt;em&gt;Saturno Devorando um Filho&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_q4mahQ5JRH8/TNeGDsyxV7I/AAAAAAAAAE4/dXVfgd10sL0/s1600/v%C3%AAnus+e+saturno.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="145" px="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_q4mahQ5JRH8/TNeGDsyxV7I/AAAAAAAAAE4/dXVfgd10sL0/s400/v%C3%AAnus+e+saturno.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ouvia-se apenas o murmúrio da água e o zumbido do motor do aquário. Ela era perfeita à meia-luz, ela era perfeita em qualquer circunstância. Eu me sentia um moleque de onze anos que esperava um beijo no cinema e não sabia como contornar o fato dela manter a mão longe do braço da poltrona. "Eu nunca vou poder dizer", eu pensava, "seria inútil"... O que eu estava fazendo ali àquela hora?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aceita um café? - ela perguntou de repente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ela soubesse o ódio que eu sinto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Forte. E não coloque açúcar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-7309979483281424342?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/7309979483281424342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=7309979483281424342&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7309979483281424342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7309979483281424342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/11/entender-estrelas.html' title='Entender estrelas'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_q4mahQ5JRH8/TNeGDsyxV7I/AAAAAAAAAE4/dXVfgd10sL0/s72-c/v%C3%AAnus+e+saturno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-8435226936587833252</id><published>2010-10-25T14:35:00.000-07:00</published><updated>2010-10-25T19:53:00.664-07:00</updated><title type='text'>Sobre a paz que se impôs</title><content type='html'>Eu estava lá e fiz tudo o que me cabia. Batalhei como um louco que já não se lembrasse de ainda ter algo a perder. Abri as mãos, estendi os braços e amei continuamente, vivendo os tempos de sonhos, inteiro, inteiramente vivo. Entreguei o que de melhor eu tinha. Percebi nos ecos e respostas o cheiro das flores que semeei com cuidado. Fui o que eu era. Deixei que fossem o que fossem e só&amp;nbsp;assim pude estar em casa, em paz, em um profundo e delicado mergulho. Sem querer antecipar o momento em que seria outra vez arremessado para fora. Fiz amigos. Fui abraçado. Preservei a minha consciência e me conformei à lei que me regia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caíram pelo caminho algumas amarras. E vários laços se desfizeram com um misto de dor e alívio. Nem todos somos irmãos. Nem todos compreendemos os mesmos sentidos, nem caminhamos com a mesma urgência para o mesmo lado. Andar juntos, então, não é ainda segurar as mãos no mesmo ponto da estrada; não é ainda esperar que os mesmos desencontros&amp;nbsp;não se repitam; não é ainda nem será jamais&amp;nbsp;alcançar a completa&amp;nbsp;igualdade ou desfazer&amp;nbsp;um mal que tenha sido&amp;nbsp;feito. Vem desse vão, a dor, o choro quase infantil que antecede o sono. Mas o resto, afinal, é ter erguido uma única bandeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os dias que virão, entrego a minha alma como um solo fértil, sem mais entulhos, na esperança eterna de regressar ao Paraíso. Ou de alcançar a Terra Prometida com o mesmo cântico assustado e feroz deste mundo sem brilho. Sim, já foi lançada aos céus a nossa mais sincera prece. Estamos seguindo. Para onde quer que seja, seguindo. Como podemos, enfim. Adiante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-8435226936587833252?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/8435226936587833252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=8435226936587833252&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8435226936587833252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8435226936587833252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/10/sobre-paz-que-se-impos.html' title='Sobre a paz que se impôs'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-8828225949787685538</id><published>2010-10-06T22:49:00.000-07:00</published><updated>2010-10-06T22:49:42.873-07:00</updated><title type='text'>As meninas invisíveis</title><content type='html'>Um dia uma das minhas alunas de&amp;nbsp;teatro&amp;nbsp;comentou: "Minha mãe acha que a gente perde muito tempo nas aulas. Ela acha que a gente deveria ensaiar mais". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade, a gente deveria ensaiar mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia ficamos uma hora e meia conversando sobre&amp;nbsp;os sonhos e&amp;nbsp;as coisas&amp;nbsp;sem explicação&amp;nbsp;que acontecem nesta vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia eu estava sentado em uma padaria com umas quatro ou cinco meninas da&amp;nbsp;turma quando percebi que elas conversavam aberta e naturalmente sobre os mais variados assuntos sem se importar com a minha presença. Eu também era alguém da turma. Ali, minha opinião era só mais uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sim, isso é importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na conversa sobre os sonhos, uma delas&amp;nbsp;perguntou: "Por que não temos conversas como esta nas aulas de Filosofia"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mesmo: por que não? Aliás, por que não&amp;nbsp;há conversas como essas na Bolsa&amp;nbsp;em vez daquela gritaria? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei uns três anos registrando o que eu achava que só eu via naquelas oito meninas que hoje são o Grupo de Teatro Bastidores. Opiniões singelas sobre deixar de ser criança, sobre se sentir sozinho, sobre por que gostar ou desgostar de uns meninos que tocam numa banda com&amp;nbsp;calças coloridas e fazem música só para elas. Sim, às vezes eu era um antropólogo tentando não julgar um povo que eu desconhecia por completo. Mas na maior parte do tempo eu era simplesmente humano, igual a elas, e compartilhava as mesmas dúvidas e inquietações, os mesmos sonhos, a mesma alegria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte de tudo isso é um espetáculo chamado &lt;em&gt;Meninas Invisíveis&lt;/em&gt;, que estreia no dia 21 de outubro, às 10 horas, no Teatro Alfredo Sigwalt em Joaçaba. Venham nos ver. A gente ensaiou o bastante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_q4mahQ5JRH8/TK1fNAUwB8I/AAAAAAAAAE0/5_i6JksJfmM/s1600/ebanner_festejo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ex="true" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/_q4mahQ5JRH8/TK1fNAUwB8I/AAAAAAAAAE0/5_i6JksJfmM/s320/ebanner_festejo.jpg" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-8828225949787685538?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/8828225949787685538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=8828225949787685538&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8828225949787685538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8828225949787685538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/10/as-meninas-invisiveis.html' title='As meninas invisíveis'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_q4mahQ5JRH8/TK1fNAUwB8I/AAAAAAAAAE0/5_i6JksJfmM/s72-c/ebanner_festejo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-1211433211506439997</id><published>2010-05-12T01:57:00.000-07:00</published><updated>2010-10-01T22:30:57.642-07:00</updated><title type='text'>Greatest hits</title><content type='html'>&lt;strong&gt;5. Please, please, please let me get what I want&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;The Smiths&lt;/em&gt;. Parece meio anacrônico. Parece um homem com um colete e um monóculo numa estação de trem. “Por favor, por favor”?! Mas tenho que reconhecer: há dias que fazem um homem bom se tornar mau, de tanto as coisas não darem certo. Sabem como?... Descobri que estou envelhecendo. De verdade, &lt;em&gt;meu corpo&lt;/em&gt; está envelhecendo, e tenho a impressão de que cheguei até aqui sem ter conquistado quase nada do que eu queria aos dezesseis. Normal, eu sei. Normal até demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Get me away from here, I’m dying&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;Belle and Sebastian&lt;/em&gt;. É quase alegre. Deve servir pra uma tarde ensolarada de domingo, especialmente no inverno. Em um mundo ideal, ter embarcado em um ônibus e estar a caminho de bem longe deve bastar pra uma definição ligeira de felicidade. No domingo de sol, você estará recolhendo roupas sujas pelo chão da casa, tentando dormir um pouco ou assistindo da janela ao vai-e-vem preguiçoso dos vizinhos. Mas pelo menos esta música tem uma levadinha boa... Com sorte você até consegue se esquecer do resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. All I want&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;Joni Mitchell&lt;/em&gt;. Na verdade, tanto faz esta ou outra música da Joni Mitchell. Combina com café e cigarros. Particularmente – e não me perguntem por quê – tenho vontade de pintar um quadro quando ouço esta música. Rios de cores claras fugindo pro alto. &lt;em&gt;I want to make you feel better, I want to make you feel free&lt;/em&gt;… Tão doce. Você já se pegou fazendo de conta que foi você quem fez chover só pra não ter que admitir que odeia o fato de estar chovendo? Acho que é mais ou menos assim, dizer que deixa livre alguém que é tudo o que você mais quer, mas que você não alcança nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Creep&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;Radiohead&lt;/em&gt;. Vontade de ir embora. Deixar pra trás o paraíso que afinal continua perdido. Mas aqui vou eu pelas ruas vazias da madrugada, recolhendo as lembranças de ter ido mais fundo e não saber muito bem se algum dia eu voltei. Às vezes a gente se distrai por muitas horas tentando encontrar culpados pelo que a gente tem de pior. Ouvindo &lt;em&gt;Creep&lt;/em&gt;, ou “verme”, diante de um fantasma refletido na vitrine; do outro lado, uma TV passa desenhos animados. Eu queria ser especial, também. Mas eu não sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1. Pale Blue Eyes&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;Velvet Underground&lt;/em&gt;. Eu ainda citaria, da mesma banda, &lt;em&gt;Perfect Day&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Heroin&lt;/em&gt;. Não sei muito bem por que fiquei nesta. &lt;em&gt;Linger on&lt;/em&gt;... Piscinas, lagos subterrâneos, banheiras, poças na calçada: acho que esta música me dissolve devagar em água doce. &lt;em&gt;The fact that you are married only proves you’re my best friend&lt;/em&gt; – é uma ironia tão suave que nem dói. Aquilo que está grudado por trás das palavras, aquilo que não sai, aquilo que é parte da química do corpo e alguma força inimiga quer levar pra longe – de repente se desfaz, já não importa mais, passou. Cinco minutos e meio flutuando em notas soltas da guitarra. Não deixe acabar. Só não deixe acabar. E então acaba.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-1211433211506439997?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/1211433211506439997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=1211433211506439997&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1211433211506439997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1211433211506439997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/05/greatest-hits.html' title='Greatest hits'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-2693695455682335667</id><published>2010-05-06T14:26:00.000-07:00</published><updated>2010-05-06T14:37:47.131-07:00</updated><title type='text'>Um pouco mais lento e seria um retrato</title><content type='html'>Teu corpo ardia sob o sol da tarde. Abandonado. Teus olhos fechados, teus lábios entreabertos, tua respiração quieta e profunda. Doce, doce entre os lilases, delicado corpo sobre a grama, entregue à liberdade adormecida de ser apenas corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O movimento involuntário do teu pé esquerdo. O rio imóvel, quente e perfumado dos teus cabelos negros, a estrela desenhada com caneta cor-de-rosa no teu braço direito; meu dedo indicador percorre as tuas costas, até a nuca, e um vento leve agita as folhas nas copas das árvores. A tarde nos foi dada; nossa paisagem, nua, descansa. Sem música. Sem nem a sombra das palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teus olhos se abriram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já faz um século.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava inventando um milagre. E eu pensava, no início, que seria preciso te guardar da ação da gravidade, ou ainda anular o peso do teu corpo, ou projetar sob os teus pés toda a energia acumulada da minha raiva, do meu orgulho ou do meu desejo. Outras vezes, eu pensava que talvez bastasse eu te distrair de tudo, ou simplesmente fazer versos. É claro que nunca funcionou. Mas eu juro, por tudo o que há de mais sagrado neste mundo, que um dia eu vou encontrar um jeito de te fazer voar de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Me beija? – perguntou uma voz rouca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu bem, eu nem pensava em outra coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-2693695455682335667?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/2693695455682335667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=2693695455682335667&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2693695455682335667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2693695455682335667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/05/um-pouco-mais-lento-e-seria-um-retrato.html' title='Um pouco mais lento e seria um retrato'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-5638590033153973953</id><published>2010-04-29T22:30:00.000-07:00</published><updated>2010-04-29T23:56:32.431-07:00</updated><title type='text'>Pequeno inventário</title><content type='html'>Ver a noite passar e ter a sensação de que não há ninguém no mundo. Ver o dia passar e ter feito o melhor que pude, mesmo que pareça pouco. Ter amigos tão completamente diferentes entre si que às vezes me perco, e penso que sou muitos de tanto me parecer a cada um deles. Ter amado loucamente, e ter perdido, e ter amado loucamente, e ter perdido – uma vez mais, e outra. Aprender a cada dia. Ensinar sem perceber. Ser teimoso, ser volúvel, ser ingênuo e mau, sonhar na luta, destruir distraído. Ouvir em silêncio. Confessar a todos. A bagunça em casa, a ordem alfabética dos livros, a gata branca que se chama Pluma por causa de uma música do Secos &amp;amp; Molhados. No vazio da sala, as paredes têm um anjo, trinta e três flores arrastadas pelo vento e um refrão do Oasis cuja tradução é "me apoie, ninguém sabe como vai ser". Algumas rugas. Boa memória, boa até demais. Quinze cadernos. Um violão quebrado. E a alma que não cabe em nada disso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-5638590033153973953?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/5638590033153973953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=5638590033153973953&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/5638590033153973953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/5638590033153973953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/04/pequeno-inventario.html' title='Pequeno inventário'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-6360620113898762033</id><published>2010-04-20T22:03:00.000-07:00</published><updated>2010-04-20T22:13:08.540-07:00</updated><title type='text'>Como se tornar um escritor compulsivo</title><content type='html'>A ansiedade é um mar de cores muito vivas no qual eu tenho andado submerso, sempre demasiado opaco e sem conseguir me transformar em tudo quanto eu gostaria. Cada pequeno gesto me parece a última chance de alcançar qualquer felicidade; cada fracasso é um furacão que me devasta; cada hora vazia lança três bilhões de vezes o mesmo grito desde um corpo imóvel: que alguma coisa aconteça, que alguma coisa aconteça, que alguma coisa aconteça. Talvez fosse impossível &lt;em&gt;não estar acontecendo&lt;/em&gt; alguma coisa o tempo todo. Talvez fosse impossível que tudo acontecesse ao mesmo tempo. Mas eu estou sufocando diante da janela aberta sobre uma paisagem gasta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou pra Bahia, não, eu vou pra onde tem neve, não, eu vou pra um templo no Tibete ou dar a volta ao mundo em uma Harley Davidson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você tem um amigo a quem você pode contar absolutamente tudo? Há quanto tempo ninguém vê você chorando? Às seis horas da tarde, eu entro em casa e me apavoro com o grande &lt;em&gt;nada&lt;/em&gt; que me separa da hora de dormir. É muita coisa guardada, é um caos de pensamentos e vontades sem espelho, sem nenhuma vazão, sem deixar nenhum vestígio no universo dos fatos. Você tem alguém contando histórias que você não quer ouvir? Você tem canais suficientes na sua TV a cabo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ansiedade é sempre um último cigarro. A ansiedade é engolir sem mastigar um prato congelado. A ansiedade é o telefone que não toca pra um convite que você recusaria à espera de outros. A ansiedade é uma merda. E saber disso não resolve nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-6360620113898762033?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/6360620113898762033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=6360620113898762033&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6360620113898762033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6360620113898762033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/04/como-se-tornar-um-escritor-compulsivo.html' title='Como se tornar um escritor compulsivo'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-8662107630025500131</id><published>2010-04-12T23:52:00.000-07:00</published><updated>2010-04-13T00:01:43.837-07:00</updated><title type='text'>Flui</title><content type='html'>Alguém em mim quer gritar uma dor muito antiga. Ele vem, coloca a mão pesada no meu peito e diz: (...) Eu já não ouço. A dor ainda dói, mas eu passeio pelas ruas e a cidade me parece muito cheia de um qualquer-coisa alegre, pequenas gotas de luz dançando no ar vazio, algo esquecido no fundo dos olhos de quem às vezes eu ainda me lembro de olhar. Eu nunca acreditei na solidão, pra dizer bem a verdade. Eu só jogava o seu jogo por achar que me faltava companhia. Agora, observando em silêncio o vai-e-vem dos corpos animados por estranhas forças, esse mar de gentes à procura de um descanso que não chega nunca, crianças oprimidas ainda pelo grande mistério do mundo eu penso: (...) Eu já não penso. Meu coração também pulsa. Tudo o que eu sou me basta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-8662107630025500131?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/8662107630025500131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=8662107630025500131&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8662107630025500131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8662107630025500131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/04/flui.html' title='Flui'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-1415367533173447869</id><published>2010-03-31T23:11:00.000-07:00</published><updated>2010-03-31T23:53:09.984-07:00</updated><title type='text'>Coisas assim</title><content type='html'>Eu tenho essa vontade de trazer você aqui. No terraço do prédio em frente ao meu, não sei por quê. Brincar na chuva. As nossas brincadeiras, você sabe. Eu tenho essa vontade de guardar você na minha gaveta de meias. Hoje eu quero usar a sua presença porque ela me deixa vivo. Hoje também. E hoje. E hoje, e todos os dias, e eu lavo a sua presença na chuva que é pra nunca ficar sem ela enquanto as minhas roupas estiverem na lavanderia. Eu tenho essa vontade de comer você, assim, com geleia de morango no café da manhã e pimenta vermelha no almoço. Tenho essa vontade, queria que você soubesse de tudo o que se passa no meu coração meio sujo, depois ser perdoado e ter uma tarde tranquila ao seu lado, entre borboletas amarelas e um rio cantando e se perdendo em seu eterno ir adiante. Eu tenho essa vontade louca de me esquecer das coisas burras, envelhecidas e sem nenhuma graça deste mundo. O que nos resta? Vamos provocar nosso desejo às três e meia da tarde sobre o asfalto, quebrar as vitrines com os quatro sapatos de quando nos despirmos, amar um ao outro com tanta intensidade que quando adormecerem nossos corpos nus e entrelaçados parecerão um sol caído no canteiro da praça. "É proibido ter um sol na grama", reclamarão os transeuntes. Então chegará esse anjo com o indicador sobre os lábios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-1415367533173447869?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/1415367533173447869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=1415367533173447869&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1415367533173447869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1415367533173447869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/03/coisas-assim.html' title='Coisas assim'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-8138745041512500920</id><published>2010-03-16T23:55:00.000-07:00</published><updated>2010-03-17T00:17:56.516-07:00</updated><title type='text'>Carta ligeira, e com a leve impressão de que é tudo um exagero</title><content type='html'>Parecia um pesadelo ou qualquer coisa assim. Eu andava por aqueles corredores e escadas, prolongando um vazio e um silêncio que não terminavam nunca. A gente ia mudar o mundo. Eu carregava uma mala com rodinhas, e dentro dela nove ou dez dragões que eu passei a vida inteira conquistando pro caso de haver uma guerra. E eu precisava dos seus unicórnios, daquelas bombas enriquecidas em Urano que só você sabe fazer. Mas eram corredores e escadas que só traziam abandono, e não adiantava gritar, chorar, correr ou desejar que não tivesse faltado luz durante a noite e que o despertador tocasse. Eu estava lá. Sozinho. Simples assim, e não havia nada que pudesse mudar isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem foi a primeira vez que tive que engolir o meu orgulho. E confessar a mim mesmo que, afinal, se eu fosse completamente honesto, eu abriria ainda a minha mala pra mostrar ao mundo não dragões, mas cataventos de papel meio infantis que nem ao menos sairiam voando. Este é o homem verdadeiro, o maltrapilho que se arrasta entre contas já vencidas e a vaga lembrança do calor humano contra o frio da noite. O homem escondido atrás do homem que se sentou em um degrau e achou até melhor que não pudesse chorar, porque era um lugar iluminado e ele estava exageradamente triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, não quero espalhar uma tristeza tão minha, tão misturada a outras que vieram de ontem, nem quero dar a impressão de atribuir a você a mínima responsabilidade por ela. Eu só queria que você soubesse que hoje eu abri mão de alguma coisa que importava pra mim, muito. Mas que afinal eu não teria crescido se já não soubesse que não resolve nada ficar batendo o pé diante da prateleira de iogurtes. Porque nem sempre a gente pode escolher, ponto final, só isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-8138745041512500920?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/8138745041512500920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=8138745041512500920&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8138745041512500920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8138745041512500920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/03/carta-ligeira-e-com-leve-impressao-de.html' title='Carta ligeira, e com a leve impressão de que é tudo um exagero'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-8148193957531493062</id><published>2010-03-07T23:08:00.000-08:00</published><updated>2010-03-08T00:46:25.701-08:00</updated><title type='text'>Um baú para os segredos</title><content type='html'>Assim se chamava um poema que escrevi há uns dez anos sobre os nomes próprios. A ideia era de que nossos nomes funcionam mais ou menos como um traço fronteiriço, um receptáculo, um limite e uma garantia de nossa individualidade. Voltei a pensar nisso depois de meu último &lt;em&gt;post&lt;/em&gt;, que trata de incomunicabilidade e solidão, desdobramentos inevitáveis do fato de sermos indivíduos, ou &lt;em&gt;individuais&lt;/em&gt;, e porque ultimamente tem-me parecido pouco desejável essa individualidade que é sinônimo de solidão absoluta. Em sentido inverso, a reflexão sobre o nome ressurgiu como uma possibilidade de conciliar "eu" e "o outro", uma vez que, em última análise, nosso nome serve apenas para que sejamos chamados, ou seja, só tem utilidade na relação "eu-outro". Tudo muito racional, tudo muito teórico, até que encontrei nas atualizações de um amigo no Orkut a frase: "quando alguém te ama, a forma de falar seu nome é diferente"; e aí fui ver que, nas explicações sobre "quem eu sou", esse amigo colocou não só uma explicação sobre o significado de seu nome como algumas considerações bem bacanas sobre as várias formas pelas quais ele é chamado. Publico aqui minha própria versão da brincadeira, como um exemplo, e sugiro a todos os que ainda estiverem em busca de si mesmos e em fuga da solidão absoluta que façam o mesmo como exercício. "Vale uma meia-horinha", como diria meu amigo Bruno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Roger&lt;/strong&gt; quer dizer "guerreiro famoso", mais precisamente um "lanceiro". Os Orixás confirmam minha relação com a guerra: sou, como Clara Nunes, filho de Ogum com Iansã. Não é muito óbvio, porque a maior parte das guerras em minha vida acontecem do lado de dentro. Socialmente, prefiro atuar pela "paz e amor".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu nome completo é &lt;strong&gt;Roger Augusto Marquart Dörl&lt;/strong&gt;, mas pouca gente sabe disso. Quando estreei no teatro, aos doze anos, encurtei tudo para &lt;strong&gt;Roger Dörl&lt;/strong&gt; (sempre fiz questão do trema) e é assim que hoje sou mais conhecido. No dia-a-dia, claro, sou chamado só pelo nome, &lt;strong&gt;Roger&lt;/strong&gt;, e sempre achei coerente que ele fosse incomum: é assim mesmo que eu me sinto. Não por vaidade... tá, só um pouco. Em família e por alguns amigos sou chamado só de &lt;strong&gt;Ró&lt;/strong&gt;, e a sonoridade disso sempre me transporta interiormente para um lugar confortável. Nunca tive um apelido que pegasse, embora meu pai tenha feito durar bastante o &lt;strong&gt;Papa-léguas&lt;/strong&gt; com que ironizava a minha pouca pressa. Por sorte, meu irmão e os poucos amigos que aderiram usavam mais a abreviação &lt;strong&gt;Papa&lt;/strong&gt;, acho que por preguiça de dizer um nome tão comprido. Outro apelido eventual é o &lt;strong&gt;Poeta&lt;/strong&gt;, que eu gosto bastante porque parece que descreve bem a forma como eu gostaria de ser entendido. Quando eu tinha entre catorze e dezesseis anos, as crianças da minha escola me chamavam de &lt;strong&gt;Palhaço&lt;/strong&gt; por causa de umas peças que eu fazia; e hoje, na mesma escola, tem os engraçadinhos que me chamam de &lt;strong&gt;Jesus&lt;/strong&gt;. Não que eu me importe: eu gosto de palhaços e de me parecer com Jesus, e principalmente eu gosto muito de crianças. Em sala de aula, prefiro ser chamado pelo nome e não de &lt;strong&gt;Professor&lt;/strong&gt;, mas nem todos se sentem à vontade para isso, e então eu não insisto. Na verdade, acho até que em alguns casos o tratamento demonstra um respeito sincero e não condicionado, o que faz toda a diferença. Dá até vontade de agradecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas ruas, nos bares, nas conversas casuais entre amigos ou desconhecidos, &lt;strong&gt;Mano&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Velho&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Brother&lt;/strong&gt; e afins serão sempre muito bem vindos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-8148193957531493062?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/8148193957531493062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=8148193957531493062&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8148193957531493062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8148193957531493062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/03/um-bau-para-os-segredos.html' title='Um baú para os segredos'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-4115516671444373881</id><published>2010-02-24T16:16:00.000-08:00</published><updated>2010-02-24T19:26:00.438-08:00</updated><title type='text'>O relator</title><content type='html'>"E mesmo que alguém enxergasse por trás das palavras", ele pensava, "quem algum dia saberia o que é estar aqui dentro?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carregando uma história única sob a chuva, às dez e meia da manhã, voltando para casa pela rua que margeia o rio. Pequeno desconforto da roupa molhada, de estar usando sandálias – mas era um dia claro e abafado de verão, e afinal a chuva não estava assim tão forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Por um segundo, só,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu gostaria de ser outra pessoa e poder me olhar de fora. Livrar-me, soltar-me dessa erupção constante de novos estados de alma; ver-me fixado em uma cara de sono ou de alegria e conseguir entender a mim mesmo como alguém que simplesmente está com sono ou alegre – só isso, fácil assim, mais nada".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma fina camada de água escorria pela calçada enquanto ele subia o morro. Ipês floridos, pessoas cinzas sob guarda-chuvas, uma oficina de televisores em que ele nunca havia reparado. Lá embaixo, o rio seguia o seu curso, indiferente, preguiçoso,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"pardo", ele acrescentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu vou escrever até os meus dedos sangrarem. Eu vou me dar uma overdose dessa exposição compulsiva".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas costas, suas pernas doíam. Homens conversavam animadamente sob uma marquise. Ser outro. Ser falante e sociável. Deixar-se. Ser como o rio que corria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ou nada", ele murmurou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou nada. Ser como o rio que corria sem nunca pensar se era rio ou nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-4115516671444373881?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/4115516671444373881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=4115516671444373881&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4115516671444373881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4115516671444373881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/02/o-relator.html' title='O relator'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-1378640498188637244</id><published>2010-02-10T05:33:00.000-08:00</published><updated>2010-02-10T05:53:54.595-08:00</updated><title type='text'>O enredo</title><content type='html'>Vou tentar não enlouquecer por uma coisa assim. É verdade, faz muito tempo que eu não transformo as coincidências em sinais de um plano divino que eu possa entender e ajudar a colocar em prática: eu as registro, apenas, como importantes variáveis em uma equação cujo resultado eu talvez nunca chegue a conhecer. E, no entanto, não consigo evitar que elas exerçam forte influência sobre algumas decisões de ordem prática. Hoje aconteceu isto, por exemplo, e eu ainda não sei quais serão os desdobramentos do caso, mas a julgar pelo histórico de eventos muito semelhantes envolvendo a mesma pessoa, acredito que eu vá decidir ficar sozinho e desligado do mundo pelas próximas semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que eu tenho estado por culpa de Isadora há oito ou nove meses, de modo que não é nada de extraordinário. Essa mulher me transformou em qualquer coisa como seu escravo: eu largo o que estiver fazendo quando ela me chama, eu faço qualquer coisa que ela peça enquanto, por sua vez, ela mantém a decisão de se casar com Antônio Carlos em outubro deste ano. Nem posso vê-la a qualquer momento – e de uns tempos para cá tenho tido que enfrentar longos períodos de espera, o que me entristece profundamente. É óbvio que Isadora está superando a sua indecisão pré-nupcial, e que eu estou perdendo. Mas estou cada vez mais obcecado por ela. Não sei, não posso, não quero viver com nenhuma outra pessoa. Já estou à beira do ridículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então hoje à noite eu me cansei. Tinha acabado de tirar o telefone do gancho para ligar para ela, depois a imaginei nos braços de Antônio Carlos e não tive mais a menor vontade de discar seu número. Se a sua incapacidade de tomar uma decisão continuasse deixando tudo como estava, eu não ia ficar aqui esperando até que isso chegasse a um “sim” sorridente no altar de outro homem. E eu não ia mendigar umas migalhas do seu tempo. Nem ia me esconder em minha casa, passar outra noite sozinho e afogado em tristeza enquanto a cidade inteira estava na avenida principal vendo os ensaios das escolas de samba. Hoje à noite eu estava livre. Às vésperas do Carnaval, eu nunca mais ia sofrer por causa de Isadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então lá estava eu em uma das arquibancadas. Sozinho, triste – mas na mesma rua que pelo menos outras mil e quinhentas mulheres. E do que mais eu precisava? Eu realmente me sentia livre, neste momento áureo da vida em que já não sou nenhum moleque nem encontrei ainda um único fio de cabelo branco. Olhei em volta, reparei naquele mar de gente e pensei: posso escolher quem eu quiser – o que, embora tivesse as suas complicações, era a mais pura verdade. Posso escolher quem eu quiser – eu quase disse em voz alta, como se descobrisse a pólvora; e depois de novo: posso esco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, agora alguém me diz quais são as chances de uma coisa assim acontecer. Que justamente aquele pensamento, que justamente &lt;em&gt;aquela palavra&lt;/em&gt; se perdesse na visão do rosto de Isadora, sozinha em uma arquibancada do outro lado da avenida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-1378640498188637244?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/1378640498188637244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=1378640498188637244&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1378640498188637244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1378640498188637244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/02/enredo.html' title='O enredo'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-271213471705080626</id><published>2010-01-27T21:58:00.000-08:00</published><updated>2010-01-27T22:43:11.656-08:00</updated><title type='text'>Para uma amiga de infância</title><content type='html'>Sala de estar na penumbra, móveis envelhecidos, uma poltrona em frente à TV ligada. Vê-se apenas um braço segurando o controle remoto e eventualmente trocando o canal; passam notícias de diversas épocas: a morte da Princesa Diana, a construção de Brasília, Paris em maio de 68, a queda do Muro de Berlim e a do World Trade Center, etc. No meio da sala, no centro de um tapete colorido e circular, um adolescente dorme enrolado como um gato. A luminosidade que atravessa as cortinas indica que lá fora é dia. De repente, sons de panela batendo chegam da cozinha; o braço com o controle remoto se imobiliza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– ... essa bagunça toda, Pedro – diz uma voz de mulher. Sons de passos: salto alto sobre um chão de madeira. A TV exibe um programa muito alegre do Chacrinha. – ... que você seja tão egoísta a este ponto, Pedro; mas pra mim chega, eu não fico nesta casa nem mais um minuto. – Mudança de canal: trechos de um filme qualquer do Kurosawa. Nova mudança: um importante jogo do campeonato irlandês de futebol. O homem pousa o controle remoto sobre o braço da poltrona. – ... não vai ter sobrado um único motivo de alegria nessa tua vidinha estúpida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuridão. Vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Locução de rádio em uma voz monótona, grave e arrastada: "um bom momento para investir na extração de petróleo, na indústria alimentícia e nas corridas de cavalo. Em um ano, o seu dinhero será no mínimo triplicado; em dez anos, você será citado como um exemplo de empreendedorismo pelos maiores especialistas da revista Forbes; em quinhentos anos"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jardim ensolarado. Flores. Pessoas passeando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou acomodado em um banco. Aos meus pés, enrolado como um gato, o adolescente dorme. Uma moça se aproxima com um saco de pipocas. Senta-se ao meu lado, come em silêncio. De repente, ri e aponta para três meninos que se enrolam com a cauda de uma pipa. Olha para mim, oferece a pipoca. Eu recuso. Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Se você soubesse a falta que você me fez – eu digo. Ela come em silêncio, observando a paisagem. – A falta que você me fez, eu digo. – Estou cansado disso. Estou virando um eco de mim mesmo. Nada se altera. – Sem você, existe alguma coisa neste mundo que possa me deixar seguro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça desaparece. O sol desaparece; não há ninguém mais no jardim, exceto eu e o gato enrolado em minhas pernas. Sons de trovão. Chuva forte. Quero gritar que eu preciso de ajuda, que eu não sei o que fazer comigo, que eu vou enlouquecer que eu vou morrer que eu vou chorar no meio do supermercado, que eu estou me dissolvendo na paisagem, que nada disso tem importância alguma, que eu já nem sei por que eu ainda me lamento, que eu estou bem, que é só uma chuva e que já está passando, que a vida é bela, que a vida é doce, que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um universo branco. O rosto de um adolescente: olhos bem abertos, expressão de malícia. O adolescente abre a boca. De dentro dela, um pouco empoeirada, escapa uma pequena borboleta, meio às tontas, com asas coloridas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-271213471705080626?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/271213471705080626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=271213471705080626&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/271213471705080626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/271213471705080626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/01/para-uma-amiga-de-infancia.html' title='Para uma amiga de infância'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-4396340124744232025</id><published>2010-01-19T23:54:00.000-08:00</published><updated>2011-02-08T19:07:25.085-08:00</updated><title type='text'>Religare</title><content type='html'>O corpo de Martina era o meu santuário. Quase não fazíamos amor: rezávamos. Nos primeiros cinco meses, em um apartamento na Santo Agostinho, aprendemos um com o outro os nossos cânticos e preces; depois saímos ampliar a nossa fé pela cidade. Nos sebos, disfarçados em um canto, reescrevemos a Bíblia e o Corão; na Reitoria, nas salas que encontrávamos desertas, desvendamos os segredos da Cabala e outras tradições esotéricas; nas praças, à noite, aprofundamo-nos em várias mitologias de tradição oral; nas escolas – sim, algumas vezes conseguimos invadir algumas escolas, e gostávamos especialmente das salas forradas por quebra-cabeças de EVA – travamos contato novamente com os cultos primitivos; e por fim nos prédios, nos condomínios fechados, no Memorial da Cidade, nos shoppings, nos correios, na prefeitura, em todas as obras em construção, públicas ou privadas, fomos pagãos liberais, burgueses, felizes e completamente alienados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Às vezes, cansados de nossa santidade heterodoxa, buscávamos o interior silencioso de alguma igreja onde, aliviados, pecávamos.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-4396340124744232025?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/4396340124744232025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=4396340124744232025&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4396340124744232025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4396340124744232025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2010/01/religare.html' title='Religare'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-7948997986239181289</id><published>2009-12-01T18:43:00.000-08:00</published><updated>2009-12-01T18:56:15.600-08:00</updated><title type='text'>Dezembro</title><content type='html'>As ruas recebem os meus passos lentos e pesados; ofuscam meu olhar as luzes de Natal – e mesmo que algum rosto fosse conhecido, hoje eu não saberia dizer nada a meu respeito sem usar um piano. A noite é quente, a vida é agora e eu me sinto um personagem sem nenhum encanto dentro do meu terno, nesse meu ar taciturno, procurando nas vitrines por um objeto qualquer que possa confessar o meu amor em meu lugar, de preferência sem que eu precise levá-lo. Às vezes eu me sinto um órfão. Às vezes eu sei que eu nasci no século errado. Um poço de incapacidades para coisas banais, uma lente escura sobre um mundo incompreensível e uma paixão inútil por rosas, vestidos rendados, bonecas de porcelana ou anjinhos de gesso em que você veria a minha alma sem nunca se sentir amada. São sempre tristes nossos momentos de entrega. Como os de um amor impossível; como os de um amor que estivesse sempre às vésperas de ser passado. A minha solidão é interminável. Prisão de um corpo e de um tempo – a escuridão da noite maltratada por enfeites burros de Natal, a extinção em massa dos engraxates, dezenas de pessoas na euforia de comprar presentes ao mesmo tempo em que lamentam as férias das crianças, as minhas mãos que se levantam no ar e procuram dissolver a realidade pelos sons imaginários de um piano invisível, eu sem você nas ruas da cidade, você e a cidade sem saber por onde eu ando, &lt;em&gt;por que&lt;/em&gt; eu ainda ando – quais são as chances de um raio divino atravessar o universo e se lembrar de transformar nosso planeta em um fluir constante da mais pura música?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-7948997986239181289?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/7948997986239181289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=7948997986239181289&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7948997986239181289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7948997986239181289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/12/dezembro.html' title='Dezembro'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-7972269726947182180</id><published>2009-11-26T02:35:00.000-08:00</published><updated>2009-11-26T02:47:16.986-08:00</updated><title type='text'>Fortaleza em meio à selva</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Memórias)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subir no muro do parquinho em busca de araçás. No fim da rua, em um condomínio fechado. Casinhas brancas de dois andares: a nossa era a primeira à esquerda de quem entrava. Encontrar um passarinho morto sob a escadaria. Não achar nenhuma graça em aulas de judô – aos dezessete, voltei àquela casa que era o meu jardim da infância e me pareceu que haviam reduzido muito o espaço. Ganhar uma bicicleta no palito do sorvete. Um fim de tarde, atravessando o viaduto ao lado da rodoviária, ouvir de meu pai uma história qualquer sobre um acidente de carro. Luzes de freio. Luzes. Por que eu me lembro dessas luzes com tamanha nitidez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai dava plantões no Hospital Psiquiátrico. Eu não tinha mais que cinco anos: penumbra da memória, noites de poeira nos cenários só meus da capital paranaense. Um quarto pequeno, lâmpadas não muito fortes. Eu fui com ele, talvez mais de uma vez, passar a noite naquela casa de pessoas doentes – não &lt;em&gt;loucos&lt;/em&gt;, eu não sabia ainda o que era isso; e meu pai era muito generoso por cuidar tão bem daquelas gentes. E ainda assim encontrar um tempo para estar comigo naquele quarto, jogando futebol de botão, assistindo a um Globo Repórter sobre os meios de sobreviver na selva. Um prato de lesmas, é tudo de que me lembro naquele programa. Por ser inédito, e não desagradável: um mundo novo, apenas, de uma estranheza colorida e fascinante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acho que dormi bem antes do final da reportagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-7972269726947182180?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/7972269726947182180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=7972269726947182180&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7972269726947182180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7972269726947182180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/11/fortaleza-em-meio-selva.html' title='Fortaleza em meio à selva'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-447451820698445909</id><published>2009-11-22T10:50:00.000-08:00</published><updated>2009-11-22T11:02:08.398-08:00</updated><title type='text'>A dor que deveras sente</title><content type='html'>Como se não fosse sempre sobre uma realidade pessoal, eu escrevia um conto utilizando a estrutura descrita pelo professor e baseado nas ideias de Baudrillard, com delicadas doses de naturalismo e citações de Catulo. Como se não fosse sempre para a menina sentada à minha frente; mas eu gostava mesmo de ouvir aquelas teorias sobre o foco narrativo, e parecia-me que faltavam apenas algumas aulas até que eu me tornasse um novo Proust ou Dostoiévski. O professor interrompeu a explicação para perguntar se alguém sentia cheiro de queimado. Mas não lhe dei atenção, porque eu estava distraído com as pontas verdes do cabelo de Yanna Karolina, sentada ao meu lado e, por sua vez, perdida na lembrança de uma tarde de verão em Londres no ano de mil novecentos e oitenta e sete. Acho que a Universidade pegou fogo. E eu não consegui terminar o meu conto – o que afinal foi o menor dos males. Eu lamentava muito mais o fato de que, dois andares abaixo, outro escritor acima da média estaria se sentindo um Saramago injustiçado enquanto suas obras completas e inéditas ardiam no fogo eterno das universidades federais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí resolvi escrever esta historinha, só porque já estávamos mortos, mesmo, e eu queria dizer a ele que no fundo eu continuava achando tudo muito divertido. Ou só morreram os "eus-líricos" naquele incêndio? Ou a poesia não mereceria nunca revelar na prática a sua alma de combustão espontânea?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-447451820698445909?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/447451820698445909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=447451820698445909&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/447451820698445909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/447451820698445909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/11/dor-que-deveras-sente.html' title='A dor que deveras sente'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-7548701432990102204</id><published>2009-11-16T18:21:00.000-08:00</published><updated>2009-11-16T20:07:48.294-08:00</updated><title type='text'>O caminho</title><content type='html'>Eu ia recolhendo, aqui e ali, palavras e gestos que me respondessem a pergunta que eu calava. E pensava que, por precaução, seria preciso ainda calcular a intensidade e a pureza de sua entrega, como se só eu soubesse; como se o amor não fosse amor se diferente do que eu dava, e a minha medida fosse a única medida, e os meus gestos fossem os mais certos. Mas no cenário que eu criei, era impossível que você não reparasse: eu nunca tive muito mais que medo e solidão para lhe oferecer em troca. Esse era o meu rosto, por trás do último disfarce. O medo, e o meu vazio de não ter sido nunca verdadeiramente eu. Só um autoabandono. Quando você surgiu, há muito tempo, parecia afinal que alguma coisa em minha vida se justificava. Que se encaixavam as peças, e que o mundo voltava a girar com uma alegria suave, como lhe era próprio, como deveria ter sido desde o início. Por causa dos seus gestos e palavras sempre doces – que eu passei a perseguir como um desesperado – eu soube enfim que algum caminho era possível para chegar à paz interior, e que talvez, no caminho, o que eu chamava de vazio mostrasse a sua verdadeira natureza de uma luz eterna, acolhedora, viva – apenas invisível para os meus olhos de antes. E é assim mesmo. Mas foi um salto no escuro; um salto que eu me demorei demais para dar. Eu tinha medo da mais vaga possibilidade de você não me querer como eu era. E eu aprendi a roubar o seu carinho. Mas só mostrei de mim a parte que jamais o mereceu – até que você notasse, e me deixasse finalmente entregue ao "eu" que eu tanto demorei para admitir a mim mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-7548701432990102204?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/7548701432990102204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=7548701432990102204&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7548701432990102204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7548701432990102204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/11/o-caminho.html' title='O caminho'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-6221703975914008880</id><published>2009-10-31T20:12:00.001-07:00</published><updated>2009-10-31T20:37:27.087-07:00</updated><title type='text'>Terras da noite. Constelação dispersa, mar revolto.</title><content type='html'>Eu estava brigando com as seguintes palavras: foto, beijo, boca, joelho, dança, roupa, brinco, bola de chiclete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu tinha um filho. Ele bagunçou um pouco as coisas, me fez chorar na primeira vez em que o deixei na escola. Foi mesmo assim. É bem verdade que eu morro de inveja das crianças, mas não é só delas, não. É de tudo aquilo que eu não posso ser. De tudo aquilo que eu só posso contemplar enquanto os outros são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas assombrado pela teia de uns cabelos negros... sem conseguir dizer que ainda estou em mim. Até que o tempo passe e eu não precise fazer nada. Até que eu aprenda a deixar cair o meu castelo. Você brincou? Orou? Caiu? Você chegou em casa com o joelho sujo. Você chegou em casa com uma folha no cabelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabelos negros... é do ar da noite, não? Ao vento, um cavalo preto, em um lugar onde me vi perdido e de onde você me tirou. No ano de mil seiscentos e cinquenta e dois: olhos azuis, bosque, gravetos, e você me lembrou o meu filho e eu te levei para casa em minha carruagem suja. O tempo tem poeira, não? É um candelabro debaixo de um lençol, é um jogo de porcelana que uma avó deixou. Depois eu quase fui feliz em outra foto: Bosque do Papa, mil novecentos e oitenta e seis. Abraço. Família. Bolas de chiclete e futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde eu parei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembro de você sentada no canto de um bar, olhando para mim. E os teus olhos brilhavam, e o teu cabelo era comprido e muito preto. Você era bonita. E a luz era azulada, e o bar era de &lt;em&gt;blues&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só muito mais tarde o azul de espera da televisão, e a voz arrastada do Tim Maia cantando "eu amo você... menina..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas era mais verdade o &lt;em&gt;João e Maria&lt;/em&gt; do Francisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembranças de uma flauta flutuante, e de você anotando em meu caderno este diálogo que é bom de ouvir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;– Faz um desenho?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;– De quê?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;– De uma laranja.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;– Laranja?!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;– ...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;– ...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;– Não, pode ser azul.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;– Rá!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;– Foi boa, né?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;– Foi.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(...)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou gravar a fogo o teu nome em meu ouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas hoje... não sei. Havia uma pontada de tristeza em tua voz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envelhecer é ver as coisas se alargarem por dentro, e nada mais tem um só rosto, e tudo é sinuoso e sem fim, e eu já não sei se faz sentido eu fazer uma poesia tão limpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seremos felizes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou transpor esse abismo de intrigas e palavras entre nós. Então quem sabe alguma coisa ande. Então quem sabe vibre em liberdade a perfeição do teu nome, do amor e da pele, pássaro e maçã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São peças que se encaixam facilmente. E embora o seu desenho seja turvo, as minhas mãos lhe darão cores e luzes, e sopros de vida e de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas... esteja lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que afinal saibamos se naufragar é preciso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-6221703975914008880?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/6221703975914008880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=6221703975914008880&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6221703975914008880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6221703975914008880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/10/terras-da-noite-constelacao-dispersa.html' title='Terras da noite. Constelação dispersa, mar revolto.'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-4654366949011954684</id><published>2009-10-27T18:40:00.000-07:00</published><updated>2009-10-27T18:50:47.186-07:00</updated><title type='text'>Diana</title><content type='html'>Diana me olhava como se soubesse que alguma coisa em mim andava em completa desordem. E eu me calava para não ser aquele eterno insatisfeito que sempre afasta qualquer bom coração. Era verdade que eu andava alheio e melancólico, reconhecendo só em mim o prazer pelas cores ou pelo ar gelado do outono: havia uma desordem sem tamanho, sim, mas que habitava às margens de uma transformação suave, bela, finalmente válida. Abraçar Diana era abraçar todos aqueles que eu gostaria de ter tido um dia entre os meus braços, mas que não tive por bobagem, por vaidade, por ter-me demorado um pouco além do necessário. E ao mesmo tempo, naqueles dias, todo conforto que eu pudesse desfrutar no sorriso sempre aberto de Diana vinha somente do fato de ela estar sorrindo – e era amar uma flor ou uma chuva pelo que elas são em si, jamais em mim. Em mim, apenas gratidão por estar presente. Eu me sentia vivo, mas numa pulsação de sono. E permitia que Deus, o Destino, a fé que eu tinha como fonte inesgotável de serenidade colocasse pouco a pouco a minha história no lugar que lhe cabia. Nunca fui bom com palavras. Nada me convence de que do contrário eu precisasse escrever tanto. O que eu queria, o que eu buscava sem descanso era acender estrelas na Terra, abrir as portas para que almas circulassem um pouco mais pelos espaços do dia-a-dia. E aqui e ali, quem sabe, colher uma pequena prova de não ter sido em vão. Mas com Diana eu não buscava mais nada. Ela era a estrela definitiva, e eu apenas um poeta distraído de haver encontrado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-4654366949011954684?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/4654366949011954684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=4654366949011954684&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4654366949011954684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4654366949011954684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/10/diana.html' title='Diana'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-5083844491213866813</id><published>2009-10-24T10:36:00.001-07:00</published><updated>2009-10-24T10:44:00.365-07:00</updated><title type='text'>Trânsito</title><content type='html'>Vontade de chorar sem nenhum motivo. No trânsito das seis da tarde, sob uma garoa fina, pensando que voltar para casa não era suspender nenhum trabalho, entre tantos, de tanta coisa inútil que se faz. Reencontrar o vazio da casa e o seu silêncio gasto, e uma vontade de ser qualquer outra pessoa para não estar ali, e ter um colo, e ter um pai, e ouvir um pouco mais que a minha própria voz a me ditar os meus caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No carro em frente, mergulhada em sombras e em reflexos fugidios, uma pequena mão, ora espalmada, ora somente com o indicador erguido, brincava de traçar letras e formas no vidro embaçado. Pequena silhueta, revelada pela luz do freio do segundo carro à frente; movimento contínuo e silencioso, mas sem um rosto: a imagem-síntese do meu próprio abandono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ergui também a minha mão, como um espelho daquela, ou como quisesse alcançá-la, e fiz um traço qualquer no para-brisa do meu carro. E então, subitamente, sob a luz de um poste, aquela mão ganhou um rosto de menina – com um olhar alheio, perdido, rumo a um lugar-nenhum em que eu jamais seria visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, depois disso, desapareceu. A menina, o carro, o claro instante daquele meu encontro. A projeção de uma tristeza silenciada: naquela noite, por um minuto ou menos, naquele espelho sem gênero nem tempo, eu era uma menina de não mais que sete anos, com brincos de pérolas, chorando devagar enquanto eu mesma me levava para casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-5083844491213866813?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/5083844491213866813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=5083844491213866813&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/5083844491213866813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/5083844491213866813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/10/transito.html' title='Trânsito'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-1430613600934346550</id><published>2009-10-19T21:29:00.000-07:00</published><updated>2009-10-19T21:44:02.775-07:00</updated><title type='text'>Nascer</title><content type='html'>As ideias sobre os objetos, os substantivos concretos estavam começando a me engolir. O arame farpado, os cadafalsos, os vidros de perfume, os formulários, os óculos para ver em 3D. Nada disso era matéria, mas puro pensamento sobre ela – palavras, estruturas abstratas. Diante dos meus olhos, só uma neblina muito densa. Haveria uma maneira – sim, era preciso que houvesse – haveria uma forma de entender a neblina apenas pelo tato, sem nem uma letra, nada, somente a sensação absoluta? Haveria um jeito de estar no mundo, e perceber as coisas, e ter algum conhecimento construído sem os símbolos – não mais que o tempo-agora do meu corpo? Ser algo assim como uma árvore móvel? Como um cordeiro? Abandonar-me sem receio à realidade interminavelmente silenciosa do Universo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-1430613600934346550?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/1430613600934346550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=1430613600934346550&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1430613600934346550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1430613600934346550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/10/nascer.html' title='Nascer'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-7013079864105131034</id><published>2009-10-04T03:28:00.000-07:00</published><updated>2009-10-04T03:48:40.467-07:00</updated><title type='text'>Festejo</title><content type='html'>Um dia você está lá, quieto no seu canto, pensando na chuva ou fazendo uma poesia parnasiana, e sem que você perceba o tempo vai tramando coisas reais e grandiosas para a sua vida. Você reúne bons amigos, desses que eventualmente aparecem, e numa noite qualquer de conversa furada vocês imaginam, sei lá, um festival de teatro que reúna grupos de toda a região e incentive a produção nas escolas, com várias oficinas simultâneas e espaços para discussões e trocas de experiências, palestras, grupos convidados, estéticas variadas, artistas amadores e profissionais num mesmo espaço e respirando teatro ao longo de toda uma semana.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aí vem o silêncio. Você e seus amigos se entreolham, respiram fundo. "Isso não ia ser fácil", alguém diz. Novo silêncio. Novos olhares. Até que alguém bate na mesa e fala decidido: "Então é melhor a gente começar agora".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acho que foi a Clarice Lispector que eu li uma vez dizendo que quando você quer chegar a um ponto é preciso trilhar caminhos muito diversos, inclusive no sentido oposto ao do ponto em que você quer chegar. E quando você luta para realizar um sonho, é impossível se manter à distância de tudo o que a realidade traz em si de pesadelo. A burocracia burra e a falta de dinheiro para um evento dessa natureza são quase irrelevantes, para mim, diante de questões humanas como ceticismo e arrogância, má vontade, oportunismo, estupidez, mesquinharia, etc, etc, etc. É como atravessar o inferno por uma fé meio vaga de que o paraíso ainda esteja à espera. É quase ser engolido pela máquina enquanto você se esquece do que queria quando começou a construí-la. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas quando tudo acontece, afinal, você descobre um pouco espantado que a realidade já não é mais tão diferente do sonho que você sonhou um dia...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_q4mahQ5JRH8/Ssh7XtZQWyI/AAAAAAAAAEk/DdW1k-p75FI/s1600-h/webfestejo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5388692601401531170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 226px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_q4mahQ5JRH8/Ssh7XtZQWyI/AAAAAAAAAEk/DdW1k-p75FI/s320/webfestejo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-7013079864105131034?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/7013079864105131034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=7013079864105131034&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7013079864105131034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7013079864105131034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/10/festejo.html' title='Festejo'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_q4mahQ5JRH8/Ssh7XtZQWyI/AAAAAAAAAEk/DdW1k-p75FI/s72-c/webfestejo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-29945278694085567</id><published>2009-09-24T20:28:00.001-07:00</published><updated>2009-09-24T20:33:14.870-07:00</updated><title type='text'>Um lugar onde ficar para sempre</title><content type='html'>Senti pequenas pontadas em toda a mão quando toquei a laranja. Nas ruínas de São João Batista, um pouco antes, eu havia provado o fruto de um cacto chamado tuna, comestível segundo a plaquinha ao lado – mas a plaquinha não dizia nada sobre não usar as mãos para tirar os espinhos. Dessa vez, pensei, estaria seguro; mas quando tirei a laranja do galho, ouvi uma voz vinda de não sei onde:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Quem disse que você podia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns doze passos adiante, um pouco escondido pelas laranjeiras, um índio adolescente, mais ou menos de minha idade, olhava para mim com a cabeça erguida em tom de desafio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Foi um espírito da terra – eu disse devagar. – Você não ouviu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O índio deu uma sonora gargalhada e caminhou em minha direção. Estávamos no sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo, o mais bem conservado da região das Missões, numa manhã calma e ensolarada de sábado. O menino se chamava André e estava acompanhado por sua irmã mais nova, Rute, que de início preferiu ficar à distância me observando. Contei a eles que já tinha estado ali na tarde anterior, mas que naquela manhã, com tempo livre e o pouco de dinheiro que meus pais me deram, tinha resolvido voltar e aproveitar a boa energia do sítio para escrever poemas. E ficamos assim durante algumas horas, André contando histórias do lugar e de Sepé Tiaraju, eu falando de São Paulo e das comodidades dos shoppings, Rute folheando em silêncio o meu caderno de poemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você precisa ver este lugar à noite – disse André a certa altura. Rute ergueu os olhos para o céu e, com uma voz muito baixa, acrescentou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Hoje à noite vai estar bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André explicou que eles sabiam de um jeito de entrar sem serem vistos, e sugeriu que eu fosse me encontrar com eles perto dali um pouco antes da meia-noite. Aceitei de imediato. Sabia que todos estariam dormindo, porque viajaríamos bem cedo na manhã seguinte, e assim eu não teria dificuldade em despistar meus pais. Quando me despedi, confirmando que os encontraria no local indicado, mal reparei nos olhos tristes de Rute ao me beijar no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei a tarde com meus pais em Santo Ângelo, sem mais ver muita graça no ambiente urbano e desejando ardentemente que a noite chegasse logo. Sentado em um banco da praça, enquanto meus pais compravam ponchos que nunca teríamos coragem de usar em São Paulo, escrevi um longo poema sobre um lugar iluminado de sonho e memória, um lugar onde ficar para sempre: o pequeno paraíso em que povos de culturas diferentes ensaiaram, havia tanto tempo, uma convivência harmoniosa que nunca tinha chegado a se concretizar de fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, na hora marcada, esperei por André e Rute com aquela sensação irrecuperável de aventura adolescente. Fazia frio, e eu estava cansado de um dia muito longo, mas tinha certeza de que poderia passar a noite ali sem o menor vestígio de sono. Um pouco depois da meia-noite, com um poncho cor-de-rosa combinando com o gorro, Rute dobrou a esquina e caminhou sozinha em minha direção, sem olhar para mim até que estivesse a menos de três passos, quando informou, com a mesma voz baixa que eu ouvira naquela manhã:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Meu irmão não vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um segundo, achei que a aventura da noite estava cancelada. Mas depois, sem dizer mais nada, com uma segurança que até então eu nem imaginava que veria nela, Rute me pegou pela mão e me conduziu direto para o interior do sítio. Levou-me até um ponto relativamente protegido pelas árvores onde, segundo ela, seria impossível sermos surpreendidos pelo vigia, e sugeriu que nos deitássemos usando nossos ponchos como cobertores. Eu era guiado sem resistência, um pouco surpreso, mas ao mesmo tempo estranhamente à vontade. Quando rompi o silêncio e, já deitado, comecei a conversar sobre as constelações que eu conhecia pelo nome, apesar de nunca tê-las visto no céu de São Paulo, parecia que estivera ali desde sempre, ao lado de Rute, sob aquele céu absurdamente amplo e branco de estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E não é mesmo um lugar onde ficar para sempre? – perguntou Rute.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para ela um pouco confuso. Ela sabia do que estava falando, embora o poema não estivesse ainda em meu caderno quando ela o pegou de manhã. Olhava para mim com os mesmos olhos tristes de quando nos despedimos, mas sem hesitar, sem desviar-se dos meus nem por um segundo. E então, movido por uma força que não vinha de mim, mas dos séculos, passei o braço sobre sua cintura e a puxei para mais perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi minha primeira noite de amor, e estou certo de que foi também a dela. Nervosos e sem jeito, ríamos como crianças; e ela reclamava que as minha mãos estavam frias, e eu reclamava que as minhas mãos doíam com os espinhos da tuna – mas nos beijávamos continuamente, e ríamos de novo, e renovávamos o amor e a eternidade sob o calor dos nossos ponchos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-29945278694085567?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/29945278694085567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=29945278694085567&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/29945278694085567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/29945278694085567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/09/um-lugar-onde-ficar-para-sempre.html' title='Um lugar onde ficar para sempre'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-3748480945239410383</id><published>2009-09-15T00:16:00.000-07:00</published><updated>2009-09-15T00:24:03.584-07:00</updated><title type='text'>Baú</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Para o aniversário de Yanna&lt;br /&gt;direto de 1994&lt;br /&gt;e dos meus treze anos&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Um dia você vai abrir um velho baú&lt;br /&gt;E pouco a pouco relembrar o passado&lt;br /&gt;Até encontrar no fundo, dobrado,&lt;br /&gt;Este pedaço de papel.&lt;br /&gt;O que os anos terão guardado&lt;br /&gt;É um pouco do que hoje somos,&lt;br /&gt;É um pouco do que hoje eu sou.&lt;br /&gt;Não se esqueça nunca, amiga,&lt;br /&gt;Deste amigo que você tem,&lt;br /&gt;Porque ele, com certeza,&lt;br /&gt;Não vai esquecê-la também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-3748480945239410383?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/3748480945239410383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=3748480945239410383&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/3748480945239410383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/3748480945239410383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/09/bau.html' title='Baú'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-6027295357271407773</id><published>2009-09-10T02:00:00.000-07:00</published><updated>2009-09-10T02:14:27.906-07:00</updated><title type='text'>Sobre sereias e pombos</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Memórias)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando faltavam quinze minutos para a meia-noite, eu descalcei os pés e caminhei sozinho até o mar. Sob uma chuva rala e fogos de artifício, abrindo espaço entre aquelas gentes que cantavam e bebiam e vestiam branco, sonhando coisas felizes. O século demoraria mais um ano; mas era bonito aquele &lt;em&gt;reveillon&lt;/em&gt; – mesmo que o ano dois mil não confirmasse tudo o que eu ouvia sobre ele em minha infância. Porque era eu quem me sentia confirmado, seguro, dono de mim e de minha história. Com os pés na água, entre garrafas de champanhe e muitas flores, eu pensava em todos os motivos que eu tinha para acreditar que tudo estava bem: motivos bobos, a maioria passageiros – mas tão meus, tão presentes no meu tempo e nos meus gestos, tão reais, tão vivos. O mundo, àquela altura, estava muito longe atrás de mim. Enquanto meus olhos corriam sobre o mar aberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Feliz Ano Novo – disse uma voz de menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À minha direita, três meninas de uns quinze anos me olhavam e sorriam, abraçadas. Eu não as conhecia, mas sorri também. Eram bonitas, subitamente iluminadas de amarelo e verde e roxo, depois na penumbra, depois vermelhas: uma delas me pediu um beijo; porque era Ano Novo e tudo era possível, e éramos jovens o bastante para uma coisa assim tão grave, ingênua e inconsequente. Mas eu não me movi, amarrado ao mastro de um navio que me levava para o mar desde bem antes, para o destino que escolhi, para o que me importava um pouco além dos rituais seculares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu não estou sozinho – eu disse. E eu não estava mesmo. Meu corpo era empurrado para adiante, e eu avancei sem mais pensar em nada, jamais sozinho, para o mar negro de uma noite de muitos fogos. Eu não sabia ainda que aquelas três meninas ficariam em mim pelo resto da vida. Mas então era outra, a minha história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria sempre inquebrável minha fé, e um pouco tímido o meu falar sobre ela. Pessoal e sem fronteiras, minha religião de um Deus Único seria constantemente transformada por novos sincretismos. Mas eu me batizei no mar naquela noite de Ano Novo. Vestindo branco, e com a alma nua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-6027295357271407773?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/6027295357271407773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=6027295357271407773&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6027295357271407773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6027295357271407773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/09/sobre-sereias-e-pombos.html' title='Sobre sereias e pombos'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-2859129168600770454</id><published>2009-09-06T12:13:00.000-07:00</published><updated>2009-09-06T23:01:29.765-07:00</updated><title type='text'>Carta a quem falta</title><content type='html'>Doce amiga;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida me leva sem fúria agora que aprendi a dançar. Nem sempre estou onde gostaria, e nem sempre me contento quando estou; mas ao mesmo tempo sinto que o acaso é preciso e que absolutamente nada no caos dos dias está longe do seu devido lugar. Às vezes, sim, quando tudo silencia, ouço o meu coração ditar os seus desejos não saciados e me vejo triste e incompreendido; mas sei que apesar de tudo os acontecimentos têm sido justos comigo e que o restante do caminho desfará a tristeza excessiva. Não tenho mais medo ou pressa; bebo de cada momento o sumo de seu motivo, e o faço distraído para que ele não fuja em devaneios e perguntas; estou presente, pulso em um tempo-espaço que também pulsa, independente, até que eu me harmonize com ele ou ele comigo e simplesmente não exista mais disputa alguma. E é sempre bom. Porque toda trajetória se esclarece e se justifica: estou onde devo estar, sinto o que devo sentir, e sigo adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo que me desprender da ideia de controle foi uma conquista, e outra maior será manter-me assim em um cotidiano quase sempre histérico. A sua ausência é ao mesmo tempo um mal e um remédio: foi sobretudo por causa dela que aprendi a viver do que a maré trazia, e a dirigir um segundo olhar ao pouco que eu tinha até entender que aquilo não era mais nem menos do que o necessário; no entanto, lamento ainda as longas horas em que preciso enfrentar o mundo sustentado apenas pela lembrança de que você existe, em algum lugar, percorrendo os seus próprios caminhos e travando a sua própria guerra, sem saber de mim, sem saber mandar notícias. Porque tivemos juntos um vislumbre do amor na eternidade; pisamos descalços a grama do Éden por alguns segundos e depois fomos roubados do que nem chegamos a possuir: você foi embora, eu fui também; junto ao lixo que nos foi entregue como obrigação do tempo veio o aviso de que só seríamos um só de novo depois que aprendêssemos a sê-lo em cada um. Ou então o seu aviso foi muito outro? De qualquer forma, é a esperança de que não tenha sido – e a de que aprenderemos – a única força capaz de remover as sombras de meu coração cansado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hora, só posso agradecer a Deus pelo dia em que os nossos caminhos se cruzaram sobre a Terra. Você é a estrela que faltava: pensar em você, saber que você existe é não poder mais duvidar de que o mundo merece coisas belas. E é bom que você saiba: enquanto eu existir, enquanto eu puder pensar e sentir, nada, em lugar nenhum do planeta, poderá levar-me esta certeza de que o amor tudo vence – porque amar você é inquebrável, minha doce amiga, minha irmã, meu anjo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-2859129168600770454?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/2859129168600770454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=2859129168600770454&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2859129168600770454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2859129168600770454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/09/carta-quem-falta.html' title='Carta a quem falta'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-8329668546283171990</id><published>2009-09-02T01:11:00.000-07:00</published><updated>2009-09-02T01:16:27.153-07:00</updated><title type='text'>Para dizer coisas azuis</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Primeiro:&lt;/strong&gt; sopre uma palavra qualquer dentro de uma bolinha de sabão. Não pronuncie em voz alta. Não escolha. Só pense na palavra e sopre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Segundo:&lt;/strong&gt; só chore se for por acaso. Não invoque uma tristeza que já está suficientemente presente nos momentos bons. Prefira acreditar que hoje é mais ou menos o dia mais feliz de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Terceiro:&lt;/strong&gt; tenha uns dois ou três amigos por perto, para o caso de acabar chorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quarto:&lt;/strong&gt; perceba que você ainda é criança em algum lugar. Olhe o mundo desse jeito – sendo criança – mas não diga nada a ninguém. Deixe o tempo formular combinações melhores entre ontem e hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quinto:&lt;/strong&gt; ame como um louco. Morra de amor, grite, esperneie. Depois espere vir a noite e a chuva e saia para dançar sozinho, sem nenhuma pressa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-8329668546283171990?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/8329668546283171990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=8329668546283171990&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8329668546283171990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8329668546283171990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/09/para-dizer-coisas-azuis.html' title='Para dizer coisas azuis'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-483992348792303323</id><published>2009-08-29T00:39:00.001-07:00</published><updated>2009-08-29T00:42:13.318-07:00</updated><title type='text'>Revelação</title><content type='html'>Esse tremor, a hesitação que sentimos quando desvendamos algo que talvez fosse melhor permanecer oculto. Olhamos em volta à espera da reprovação – qual outra consequência existe? – enquanto as nossas mentes já começam a encobrir o novo com a decisão: Não, eu não vi. E então saímos a pensar sobre outras coisas, desejando ardentemente acreditar ainda nelas – como se não fosse inevitável, como se já não soubéssemos bem antes que o segredo revelado alteraria para sempre o curso de nossas vidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-483992348792303323?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/483992348792303323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=483992348792303323&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/483992348792303323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/483992348792303323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/08/revelacao.html' title='Revelação'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-6230051400299440153</id><published>2009-08-25T01:25:00.000-07:00</published><updated>2009-08-25T01:27:04.729-07:00</updated><title type='text'>Sobre um apocalipse pessoal</title><content type='html'>Um homem veio e tocou com o polegar em minha testa. E era invisível, mas estou certo de que ficou ali um traço vermelho como um sinal para que eu não morresse. A noite que chegava seria a última para muitos – porque uma legião de monstros e demônios preparava uma emboscada para levar em pleno sono os não marcados. É claro que eu sentia medo. Ninguém sabe enfrentar sem sustos uma mudança assim tão grande. E quando escureceu daquela forma, e o silêncio no mundo era tanto, por um segundo eu duvidei também de que eu seria salvo. Só uma lembrança vaga, como uma luz muito distante, mantinha a minha alma junto ao corpo. E eu não sabia ainda o que era. Mas percebi teu cheiro no mar terrível de minha cegueira, e aquele som arrastado... tum-dum... tum-dum... tum-dum... de eu ter estado, há muitos anos, por dois ou três minutos com a cabeça em teu peito. E foi assim que a escuridão maior recuou. E eu soube que na mesma hora as almas dos não marcados foram colhidas. Minha cabeça girou. Minhas pernas cederam. Eu só voltei a mim às oito horas da manhã seguinte, caído no chão da sala. E o ar à minha volta estava diferente. E o mundo parecia mais real, visivelmente mais sólido. Demorei para me levantar. Fiquei ali tentando me lembrar de um sonho muito bom que eu tinha tido: um sonho familiar; um sonho talvez recorrente. Mas que era só mais uma peça do trabalho lento, sorrateiro e infalível a que a vida se lançou desde o instante em que escolheu nos dar dias melhores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-6230051400299440153?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/6230051400299440153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=6230051400299440153&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6230051400299440153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6230051400299440153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/08/sobre-um-apocalipse-pessoal.html' title='Sobre um apocalipse pessoal'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-6033119913952244416</id><published>2009-08-21T01:39:00.000-07:00</published><updated>2009-08-29T00:36:32.666-07:00</updated><title type='text'>Brisa</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Memórias)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol estava se pondo em Valfenda. Eu e meu irmão nos sentamos no terraço para conversar, entre flores, sob um céu de cores quentes: tudo estava imerso em uma paz absoluta. “O tempo para pra eu passar”, cantei de repente. E concordamos que, no fundo, &lt;em&gt;Brisa&lt;/em&gt; era uma música triste. Mas – estranhamente emocionados – concluímos que tinha sido escrita por um anjo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma das primeiras músicas que compusemos juntos. Nunca entendi direito aquele sonho de anos mais tarde, nem via nada de tão extraordinário assim em &lt;em&gt;Brisa&lt;/em&gt;. De qualquer forma, era fato que tínhamos por ela um carinho especial; e entre amigos, quando estávamos em um bar ou em uma festa e não gostávamos da banda, esperávamos pelo intervalo entre uma música e outra para lançar bem alto o desafio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Toca &lt;em&gt;Brisa&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho certeza de que a chuva dançava mesmo pelo céu na hora em que escrevemos a primeira frase. Tenho a impressão de que era apenas uma manhã cinza. Até porque, depois que nos enrolamos no meio da música, decidimos ir terminá-la ao ar livre, em um dos parques da cidade. E foi assim que o Bosque Alemão ofereceu a imagem que faltava à nossa canção sobre um lugar que desperta e ainda sonha, sem pedidos nem metades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grupo de alunos de uns seis ou sete anos passeava pelo parque. E, em nossa música, aquelas crianças eram tinta escorrendo pelo chão de pés descalços, cores brincando distraídas no jardim e o medo desaparecendo devagar em um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eu não entendo como &lt;em&gt;Brisa&lt;/em&gt; pode ser no fundo uma música triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sim, acho que entendo o anjo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-6033119913952244416?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/6033119913952244416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=6033119913952244416&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6033119913952244416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6033119913952244416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/08/brisa.html' title='Brisa'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-5196142963299081377</id><published>2009-08-17T00:05:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T00:10:07.974-07:00</updated><title type='text'>Duplo</title><content type='html'>Algo me detém antes da curva, ou de fechar a porta: são olhos meus em outro rosto, é um pouco estranho. Ela – porque é “ela”, e nada disso é extraordinário – agita uma taça de cristal com sal na borda, batom na boca, derrama um punhado de palavrazinhas e eu escuto a minha voz pensar em outra voz, em outro sexo, outra saliva. E eu me embriago de mim. Mas nela. Somos de uma mesma tempestade interna, dos mesmos barcos naufragados, da mesma superfície clara e limpa conquistada à força? Do mesmo sopro? Ficamos assim. Imóveis, contidos. Não diremos um ao outro o que se passa no mais obscuro de nós mesmos – um pouco porque não importa, um pouco porque já sabemos – e nos olhamos de longe antes da curva ou de fechar a porta e finalmente agradecemos. Agradecemos? Agradecemos. Porque estamos sim completamente sós. Mas nunca é tanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-5196142963299081377?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/5196142963299081377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=5196142963299081377&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/5196142963299081377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/5196142963299081377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/08/duplo.html' title='Duplo'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-7738575752519636159</id><published>2009-08-12T22:58:00.000-07:00</published><updated>2009-08-12T23:06:28.110-07:00</updated><title type='text'>Errante</title><content type='html'>Duas horas para o beijo azul dessa melancolia. Os dedos estendidos, minhas mãos abertas e voltadas para uma garoa que inventei: a tarde é fria, e cinza, e há todas essas coisas que se dissolveram pelo tempo longo de não terem sido ditas. Quanto eu te amei. Quanto eu fui feliz por um dia. Se a vida, o mundo, os deuses te entregassem! – mas apenas contemplar, obra divina, mármore, Helena do meu sofrimento lento. Ou arrancar meu coração com as mãos e vê-lo consumido, exausto, negro. Duas horas para me esquecer de ti, eu que não me esqueço nunca. Guerras inúteis. Estradas de tijolos cor-de-chumbo. Duas horas. Contra uma ausência interminável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é à terra que reclamam. Meus pés, confundidos neste território vasto e sem vida. Como é possível?, me pergunto. Como eu suporto ser tão nítida essa tua imagem?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-7738575752519636159?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/7738575752519636159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=7738575752519636159&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7738575752519636159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7738575752519636159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/08/errante.html' title='Errante'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-685666296704058301</id><published>2009-08-06T19:37:00.000-07:00</published><updated>2009-08-07T17:58:43.437-07:00</updated><title type='text'>Como domesticar um lobo</title><content type='html'>Aos nove anos eu já era assim calado e solitário, inventando os meus brinquedos no vazio do sótão que era meu quarto de dormir. Vivíamos na fazenda apenas eu, meus pais e dona Laura, uma senhora triste e trabalhadeira que eu nunca soube ao certo como foi parar ali. Sem amigos, sem outra companhia em casa além de livros coloridos e brinquedos inventados, frequentemente eu fugia para explorar o território interminável da fazenda; e passava as tardes em duelos mortais com os galhos baixos das árvores, descobrindo aldeias e tesouros escondidos, sentindo-me um pequeno rei selvagem como Tarzan ou Mogli ou observando longa e atentamente as águas do riacho a imaginar o que haveria de tão perigoso nele ou do outro lado para que minha mãe me proibisse de tentar atravessá-lo. E era tudo muito vivo e sólido para que eu compreendesse o peso negativo da palavra “solidão”: o mundo era eterno e renovável de dentro para fora a cada dia, e todo o necessário estava ali, no meu próprio reino mágico e real, ao alcance dos meus dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso eu tenha me escondido em meu quarto no dia em que Júlia chegou à nossa casa. A despeito da insistência de minha mãe para que eu recebesse bem a sobrinha-neta de dona Laura que estaria “fragilizada por perder os pais”, que “viveria conosco”, e “deveria ser tratada desde seu primeiro dia ali como a irmã que a partir de então eu ia ter”. E foi preciso que meu pai me arrastasse pela orelha escada abaixo e me obrigasse a sorrir e a dizer meu nome diante daqueles olhos imensos e azuis de quem invadia o meu reino. Aqueles olhos imensos e azuis. Não me lembro de ter reparado em nada mais naquele fim de tarde. Júlia tinha a mesma idade que eu e era delicada e generosa, quase tão quieta quanto eu, um anjo, uma alma irmã de muitas outras vidas. Na manhã seguinte éramos velhos conhecidos, embora tímidos, jogando com os brinquedos um do outro exatamente como o outro – como se já soubéssemos o que fazer de tanto tê-lo visto. Júlia, minha querida irmã, minha metade eterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela felicidade durou menos de dois anos, mas alterou para sempre o meu modo de agir à medida em que me trazia à tona, ao mundo das relações. Começou com um fato banal, em uma tarde em que brincávamos diante da casa. Nem sei explicar como uma coisa tão pequena quanto aquela pode ter feito tanta diferença. Mas foi assim: eu estava zombando dela porque seu vestido ficou sujo de terra depois que ela caiu, então ela bateu em meu braço e disse “bobo” – mas meio sorrindo, achando graça no mesmo que eu, aceitando como jogo o ato de provocar o outro. Então eu não soube o que dizer nem como reagir. Tive vontade de fugir dali, porque eu estava enfrentando qualquer coisa com que eu definitivamente não sabia lidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi assim que fomos nos aproximando cada dia mais, enquanto eu ensinava a ela a subir em árvores, enfurecer os cavalos ou procurar por diamantes na parte rasa do riacho. Júlia era de certa forma uma extensão autônoma de mim, e só depois de muito tempo foi que eu percebi que andávamos de mãos dadas de um lado para o outro – por causa do único comentário sorridente que eu me lembro de ter visto um dia dona Laura fazer. Meu reino continuava sendo meu; e embora o de Júlia pudesse ser ligeiramente diferente, não havia entre nós necessidade alguma de fusão, nem de fronteiras, nem de conquistas e transformações: as duas realidades eram simplesmente duas realidades ocupando o mesmo espaço, irradiando-se continuamente de uma para a outra, pulsando juntas, doando e recebendo sem cobranças tudo o que gerassem de melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje acredito que o tempo de duração da nossa história não foi mais nem menos do que o necessário para que eu aprendesse a conviver com os outros sendo lobo. Porque não era preciso alterar quem eu era, desde que eu soubesse – como eu soube – de que parte minha brotava forte e saudável a árvore do meu amor humano. Júlia morreu afogada no dia do meu aniversário de onze anos. Não me deixaram vê-la; não permitiram que eu me despedisse. Mas nem imagino por que seria necessário: levaria aquela irmã comigo ao longo de todos os meus dias, mesmo depois de ter tido outros reinos ou amores. E assim eu poderia alimentar ao menos a ilusão de que ela não morreu de fato, mas foi levada embora, para viver quem sabe com outra tia-avó, longe de mim – talvez como um castigo por ter feito amadurecer tão cedo em meu coração de menino esse fruto obscuro, açucarado e quente que até hoje poucos sabem que é possível decifrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-685666296704058301?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/685666296704058301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=685666296704058301&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/685666296704058301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/685666296704058301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/08/como-domesticar-um-lobo.html' title='Como domesticar um lobo'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-6701671103323644351</id><published>2009-08-02T21:36:00.000-07:00</published><updated>2009-08-07T19:27:09.267-07:00</updated><title type='text'>Invocação</title><content type='html'>Esteja ao meu lado quando cair a noite. Quando eu me perder de tudo, e parecer silêncio o vai-e-vem dos carros na avenida, e parecer solidão o eco insistente da memória. Esteja ao meu lado, deus, cosmos, confiança. Esteja ao meu lado quando restar apenas gravidade do tempo sobre este corpo que percorre as ruas, reflexo nas vitrines, pensando tão-somente em proteger-se contra o frio do inverno. Quando o sinal abrir, e eu ficar preso do lado errado da rua, e eu afundar o queixo no casaco, as mãos nos bolsos, o coração em uma inexplicável nostalgia. Esteja ao meu lado. Luz. Beleza. Sensação da mais acolhedora eternidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-6701671103323644351?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/6701671103323644351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=6701671103323644351&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6701671103323644351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6701671103323644351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/08/invocacao.html' title='Invocação'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-6433013791321776826</id><published>2009-07-20T22:52:00.000-07:00</published><updated>2009-07-20T23:02:07.422-07:00</updated><title type='text'>Das pequenas mudanças</title><content type='html'>Não deixe que te enganem, meu bebê: aqui &lt;em&gt;não&lt;/em&gt; somos livres para acreditar em qualquer coisa. Dizer o contrário é só um recurso básico da hipnose. Não vá espalhando por aí que nosso amor é eterno e puro, que vivemos de brisa e de bondade ou que estamos semeando um mundo para a oitava geração depois da nossa: não se deve perturbar assim o sono de tanta gente. Qualquer verdade, bebê, em tempos tão confusos como os nossos, só deve ser passada adiante no mercado negro, dentro dos queijos ou dos tubos de pasta de dente. Até que um dia, às sete da manhã, depois de ver a própria cara sem brilho e amassada no espelho, um joão-ninguém vai reparar no despertar dos filhos e exclamar: "Não é que é mesmo!?"... e nossa última revolução será feita de pequenas implosões, não do contrário. Porque o mundo, bebê, o mundo real e esquecido é feito desses joão-ninguéns – de sua ternura contida, da esperança guardada, do encantamento abafado diante da beleza que persiste. Mas também não tenha pressa, meu bebê: &lt;em&gt;nenhum&lt;/em&gt; trabalho importante é para ontem. Temos ainda muito tempo. Descanse em minha casa por enquanto, beba um chá, aceite um pedacinho deste queijo. Mastigue devagar e com prazer. Antes, e acima de tudo, não deixe que te vendam o seu medo – crescer demora, meu bebê, e o mundo desabar seria só o começo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-6433013791321776826?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/6433013791321776826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=6433013791321776826&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6433013791321776826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6433013791321776826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/07/das-pequenas-mudancas.html' title='Das pequenas mudanças'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-2736394503634846032</id><published>2009-07-16T23:16:00.000-07:00</published><updated>2009-07-16T23:18:54.515-07:00</updated><title type='text'>Não foi</title><content type='html'>Mas se anunciou com todas as letras em neon: &lt;em&gt;felicidade&lt;/em&gt;, ou qualquer coisa assim – e se parecia mesmo à estrela cadente que uma vez atravessou o meu Natal, há muito tempo, quando eu apenas conhecia o mundo. Delicadamente azul; ligeira e de um fascínio absoluto. Fiz um pedido. Nada atendeu. Faltou o chão na hora do passo, a mão, o bolso, a chave de uma porta súbita. – Este menino não se acostumou ainda, vejam só, a ter o que era muito mais do que esperança, a ter certeza, a ser guiado por essa certeza luminosa e de repente estar em queda livre, só, no mais absurdo escuro, confuso, tonto, sem saber – que foi que aconteceu, meu Deus?! Ah, mas este menino que não cresce nunca... Eu tinha era vontade de escrever e de chorar, e de escrever chorando, e de chorar em cada palavra que escrevia; queria morrer, queria não ser, queria passar. Nada passou. A gente se acostuma a não ter sido. Sorri. E o gosto do sorriso é quase bom.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-2736394503634846032?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/2736394503634846032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=2736394503634846032&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2736394503634846032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2736394503634846032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/07/nao-foi.html' title='Não foi'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-4593930641403523774</id><published>2009-07-13T16:04:00.001-07:00</published><updated>2009-07-13T16:04:51.435-07:00</updated><title type='text'>Teus olhos de longe</title><content type='html'>Não sei mais onde é a paisagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-4593930641403523774?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/4593930641403523774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=4593930641403523774&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4593930641403523774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4593930641403523774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/07/teus-olhos-de-longe.html' title='Teus olhos de longe'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-3390848036351285503</id><published>2009-07-09T13:06:00.000-07:00</published><updated>2009-07-09T13:10:36.579-07:00</updated><title type='text'>Definição</title><content type='html'>Menos que nada é quando o nada exagera. É um sobrepeso de nada, um nada que não se pode carregar sozinho. É quando o nada extrapola os limites do que é nada e ocupa espaços do que deveria ser alguma coisa, ou simplesmente fica ali impedindo que outra coisa seja mais que nada no lugar onde ele está. Menos que nada é um buraco negro no vazio do peito. É um aspirador ligado no meio do vácuo. É um nada consumindo o absolutamente nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-3390848036351285503?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/3390848036351285503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=3390848036351285503&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/3390848036351285503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/3390848036351285503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/07/definicao.html' title='Definição'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-4113078854898311749</id><published>2009-07-03T23:59:00.000-07:00</published><updated>2009-07-04T00:00:48.698-07:00</updated><title type='text'>Além das cordilheiras</title><content type='html'>Valquíria estava parada à porta com lágrimas nos olhos. Eu contemplava pela última vez a vasta planície de vegetação dourada que era preciso abandonar – o meu lugar sagrado, meu lar, minha colheita de sonhos. Sete pares de cavalos pastavam perto da pequena casa de madeira, exceto por Netuno, meu companheiro mais leal, que se mantinha imóvel ao meu lado como já soubesse que eu não estaria ali por muito tempo. Corri meus dedos por seu pelo branco e luminoso; um vento leve, ao mesmo tempo, agitou as folhas de eucaliptos que margeavam a estradinha de terra. Era a última chamada à minha partida. Valquíria desceu correndo os degraus da varanda para um novo abraço, enquanto Netuno disparava como um raio rumo às cordilheiras distantes. Valquíria tomou meu rosto entre as mãos: eu sorria, mas nada era capaz de desmentir o coração doído. Beijei-a. Meus braços envolveram sua cintura pela última vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Me espera? – ela perguntou sem voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Nem sei partir – eu disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijamo-nos. Os lábios de Valquíria tinham gosto de pêssego, de lágrimas, de uma união indissolúvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu viesse ao mundo, já nem me lembraria mais daquele gosto. Mas seria sempre alguma coisa assim como um vazio constante no meio da alma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-4113078854898311749?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/4113078854898311749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=4113078854898311749&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4113078854898311749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4113078854898311749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/07/alem-das-cordilheiras.html' title='Além das cordilheiras'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-260762801101295944</id><published>2009-07-02T12:25:00.000-07:00</published><updated>2009-07-02T12:28:17.310-07:00</updated><title type='text'>Entre lírios</title><content type='html'>Não gosto mais do que você dessa distância entre nós dois, Luana. Tenho certeza de que não foi isso que eu disse na outra carta. Os dias são serenos, sim, depois de tanto tempo longe; consigo amar de novo, rir de coisas bobas, chorar com um filme na TV. E ontem fiz um novo amigo. Um menino de uns dez anos que mora na casa ao lado. Ele me ajudou a carregar umas caixas para cima, depois ficou comigo conversando um pouco: ele gosta de batata frita, de chocolate branco e de &lt;em&gt;Harry Potter&lt;/em&gt;; disse que passa muito tempo sozinho em casa, que quase não há meninos na vizinhança e que por isso ele vai voltar um dia desses com um jogo qualquer de tabuleiro. Gostaria que você estivesse aqui, Luana. Penso nisso todos os dias. A toda hora. Em cada letra. Na segunda-feira fui sozinho até o desfiladeiro, deviam ser umas duas da madrugada. Fiquei deitado vendo estrelas. Foi bonito. Fazia muito tempo que eu não via o céu assim tão limpo. Então eu acho que peguei no sono; sonhei com chuvas de verão, um grupo de alunos muito concentrados e o galope distante de um cavalo branco. Sei que uma hora falei “eu te amo” – você me ouvia?... O meu trabalho continua o mesmo. As mesmas caras, a má vontade de sempre, e papéis, e tinta, e nada. Mas quase já tenho dinheiro para comprar o meu piano. E sim, faço poemas. Não sei, Luana, por que foi preciso que você quase me odiasse. Que eu viesse embora; que não fosse mais do que memória a vida iluminada e sólida que tivemos no vale de Campomanso, entre lírios, repetindo aquelas promessas para tanto tempo. Mas vou voltar, um dia. Não faz sentido que eu não volte. E eu sei – por mais que você insista em me dizer que a vida segue em frente, que é até bom que eu possa te esquecer aos poucos, que não somos um do outro, que não foi nada mais que um sonho muito breve – eu &lt;em&gt;sei&lt;/em&gt;, de toda a minha alma eu sei, ficaremos bem, e ficaremos juntos. Porque eu te amo desde sempre. Porque o teu nome tem gosto de pêssego. E porque mesmo aqui, tão longe, eu sinto a tua presença real e de repente uma certeza antiga de que nada mais me falta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-260762801101295944?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/260762801101295944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=260762801101295944&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/260762801101295944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/260762801101295944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/07/entre-lirios.html' title='Entre lírios'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-2210303510139697462</id><published>2009-06-29T22:17:00.000-07:00</published><updated>2009-06-29T22:18:47.226-07:00</updated><title type='text'>Ver coisas novas</title><content type='html'>Estive à tarde em conversa com Alberto Caeiro. Ele estava lá nem um pouco entediado com a Eternidade, exceto por não ter escrito, e perguntava se eu não estaria disposto a transcrever-lhe uns versos. Mas ele era muito outro de ter visto coisas novas, e de falar a mim. Pedi que ele esperasse o meu tempo – que eu vivo no tempo, ainda – e que ele ao menos assinasse os seus escritos com um novo nome, se eu acaso os aceitasse. Ele viu muita graça nessa coisa de assinar com outro nome. Mas concordou, enfim. Disse que não era o nome que o fazia ser Caeiro – “como as pedras”, acrescentou, “não deixariam de ser pedras se as chamássemos de pássaros”. E havia estranhamente algum sentido oculto em suas palavras; no seu rosto, um sorriso calmo de ter visto coisas novas e preparar a grandeza de dizê-las. Como se na Eternidade, apesar de pedras, as pedras muito à sua maneira levantassem voo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-2210303510139697462?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/2210303510139697462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=2210303510139697462&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2210303510139697462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2210303510139697462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/06/ver-coisas-novas.html' title='Ver coisas novas'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-567849644652009476</id><published>2009-06-19T16:58:00.000-07:00</published><updated>2009-06-19T17:03:42.966-07:00</updated><title type='text'>O inevitável</title><content type='html'>– Está vendo aquela casa lá? – eu perguntei. Estávamos no alto da montanha, ele de passagem, eu em uma conturbada guerra interior. Eu mal conseguia erguer a mão para apontar; ele, por outro lado, estava cheio de energia e excitação: nem teria parado se a minha voz não estivesse tão fraca ao pedir-lhe um gole d’água. Ele se virou para olhar na direção em que apontei. Uma casinha branca, no alto de uma colina distante, expelia uma fumaça igualmente branca pela chaminé. O homem fez que sim com a cabeça e esperou. Eu continuei: – Serei muito bem recebido ali por sete pessoas que nunca antes tinham me visto. Em alguns dias, estarei sendo tratado como um membro da família; e, pouco tempo depois, é o que de fato eu vou ser. Vou me apaixonar perdidamente por Gabriela, a filha mais velha do casal, e depois de um ano e meio vamos nos mudar, como marido e mulher, para outra casa que terei construído em algum lugar aqui por perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem recebeu de volta o seu cantil com os olhos arregalados fixos em mim. Abriu a boca para falar, mas não encontrou as palavras. Franziu a testa e esperou outra vez, como se a sua pergunta já estivesse clara o suficiente para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sim – eu disse. – Saí de casa há doze anos, exatamente como você, em busca de aventuras. Mas nem de longe vivi tudo o que eu estava pensando que ia viver...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei em silêncio. O homem olhou mais uma vez para a casa distante, e depois de volta para mim, ainda sem entender. Era óbvio que ele estava movido pelo mesmo impulso que eu tive, havia doze anos, e que simplesmente não conseguia imaginar-se chegando ao ponto em que eu estava. Preferiu não pensar no assunto, agitando a cabeça levemente e voltando sua atenção para o cantil. Fechou-o, sem pressa; guardou-o de volta na mochila. Quando começou a se afastar, sentei-me em uma pedra e olhei para lugar nenhum. Ele se deteve apenas alguns passos adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E você vai simplesmente... desistir?! – perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Estou sentado nesta pedra há onze meses.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-567849644652009476?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/567849644652009476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=567849644652009476&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/567849644652009476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/567849644652009476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/06/o-inevitavel.html' title='O inevitável'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-4849119210908086886</id><published>2009-06-15T11:37:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T11:46:09.352-07:00</updated><title type='text'>O acidente</title><content type='html'>Tentando ter sobrevivido ao último colapso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida é um negócio tenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo terei renascido e serei muito outro. Até tem graça. Meu coração de terra fixa e ascendente em água fixa talvez até gostasse de ser sempre o mesmo, mas não deu, não foi, a caravana avança. Mas como eu tenho pena de mim mesmo aqui pequenininho, ferido, confuso, etc! Deveriam fazer uns manuais emocionais individualizados, nada de genéricos. Sim, estou envelhecendo na lista de espera. Aí vem um tsunami vez ou outra, um Katrina, um Vesúvio, uma hecatombe. E pôxa vida, Deus, eu não sou Deus nem nada. A gente fica assim no meio dos destroços, imaginando se encontrar a caixa preta serviria para alguma coisa. Por que que as almas não têm pronto-socorro? Falar. Falar. Falar ocupa os pensamentos. E a gente sente menos – quase não sente, quase não sente – até que chegue o dia em que a gente aprenda a rir de como alguém no mundo pode ser tão bobo. Mas nada disso – nada de promessas por enquanto. Às vezes é preciso uma catarse a seco. Amar por implosão. Morrer o que ainda presta. E esperar, e esperar, e esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ressurreição é coisa de domingo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-4849119210908086886?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/4849119210908086886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=4849119210908086886&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4849119210908086886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4849119210908086886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/06/o-acidente.html' title='O acidente'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-921135164514521776</id><published>2009-06-10T12:52:00.000-07:00</published><updated>2009-06-10T13:00:12.325-07:00</updated><title type='text'>Completo</title><content type='html'>Uma teia de fios luminosos envolve o meu corpo etéreo. É um brilho histérico; é um olhar deslumbrado sobre a beleza de embalagens, palavras, culturas construídas para a posse e pela posse. Mas a verdade última de minha alma é uma rocha imóvel. Terra negra, silenciosa e quente muito antes de ser fértil. Eu quero o coração que trava essa batalha de nascer de si, procurando por um céu que se conquista apenas a partir da lama. Da sombra, da fúria, da natureza escura atribuída ao mal. Eu quero este espírito falho que fui sempre, como Deus me deu a ser, porque nenhuma completude real será possível com um abraço acolhedor, com um "tudo estará bem", com um não-ver conveniente o que nos salta desde as trevas. É este bandido, é o anti-herói carregado de mágoas e autopiedade o único ser em mim capaz de amar e de receber amor. É deste ser que serei um homem. E todo o resto é uma invenção ridícula de mim, caricatura ingênua, máscara de sol – enquanto a noite acorda o trágico e o doentio que há na própria tentativa de conter a dor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-921135164514521776?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/921135164514521776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=921135164514521776&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/921135164514521776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/921135164514521776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/06/completo.html' title='Completo'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-7171077954651188504</id><published>2009-06-07T19:12:00.000-07:00</published><updated>2009-06-07T19:16:14.143-07:00</updated><title type='text'>Proposta de um primeiro encontro</title><content type='html'>Começaremos bem. Assim. Você confessa que é dissimulada. Cínica. E sempre se deu muito bem nas manipulações sutis. Você ganhou um ponto. Ou dois. Por ter reconhecido que eu não sou tão cego. E aí confesso eu. Que vou usar você pra alimentar minha vaidade. Testar limites. Jogar na cara da mulher a menininha acuada. E dessa vez sou eu que ganho um ponto. Ou dois. Por não te achar assim tão burra. E só depois é que começa o jogo. Um jogo limpo. Talvez não passe do primeiro tempo. Talvez eu não me importe de rachar o prêmio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-7171077954651188504?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/7171077954651188504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=7171077954651188504&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7171077954651188504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7171077954651188504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/06/proposta-de-um-primeiro-encontro.html' title='Proposta de um primeiro encontro'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-3541233606775968024</id><published>2009-06-02T02:14:00.001-07:00</published><updated>2009-06-02T02:14:55.868-07:00</updated><title type='text'>Muito mundo</title><content type='html'>À luz vadia de uma manhã de nuvens cinzas, percorro em pensamento o centro da metrópole que já chamei de casa. Num quarto distante, na província, cortinas balançando ao vento, deito-me completamente ausente: nesta manhã sou puro ontem; pura imagem projetada, dançando com as sombras sobre as pautas do caderno. Ruazinhas estreitas, céu recortado por concreto e, nas fachadas, nomes, telefones, logos: placas de escritórios que a gente nunca soube realmente pra que servem. Na mesa de um café, eu saboreio o gosto de optar pelo meu gosto em uma taça de café gelado. E de lá, sem pressa, percorro em pensamento as ruas do meu bairro, a muitas quadras de distância. Trilhos de trem, aglomerados de prédios. Nalgum lugar alguém pregou o anúncio: &lt;em&gt;Vende-se este mercadinho&lt;/em&gt;. Parece coisa da província. Ou é. E como eu poderia não me confundir com tantas ruas, tantas letras, tantas cidades pra um só par de olhos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-3541233606775968024?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/3541233606775968024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=3541233606775968024&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/3541233606775968024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/3541233606775968024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/06/muito-mundo.html' title='Muito mundo'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-8881874409086131476</id><published>2009-05-30T13:31:00.000-07:00</published><updated>2009-05-30T13:39:32.319-07:00</updated><title type='text'>Poema de adeus</title><content type='html'>Diremos que foram belas também as tempestades, e que somente pelo terror de sua beleza nos arrastamos tanto em pensar nelas. Muito mais belos e numerosos, porém, foram os dias de sol sobre a paisagem que se coloria intensamente pelo amor que estendíamos a ela, na embriaguez de nos olharmos antes, um ao outro, com o sorriso acolhedor e amplo da posse consentida. Assim que as minhas mãos têm esta marca; meus lábios, meus olhos, meu peito nu – todo o meu corpo agora solitário expõe a tatuagem de um dia ter provado a materialidade do teu. Obrigado, amor que amei, por ter seguido ao meu lado ao longo do tempo e da terra. Obrigado por ter sido a companheira leal e justa de meu coração crescente, sedenta como eu era de prazer e dor, pelo caminho incerto das contínuas descobertas. Obrigado por guardar comigo a mesma gama de memórias, milagres, pecados e pedras: tudo o que um rio carrega, tudo o que um rio desperta, tudo o que um rio contém e revela para a chuva que o renova.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-8881874409086131476?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/8881874409086131476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=8881874409086131476&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8881874409086131476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8881874409086131476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/05/poema-de-adeus.html' title='Poema de adeus'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-4266910446289566288</id><published>2009-05-27T12:29:00.000-07:00</published><updated>2009-05-27T12:45:51.129-07:00</updated><title type='text'>Passou pelo cais só pra dizer ao barco: Nada me prende – sou eu que gosto mais do mar de dentro.</title><content type='html'>Livre.&lt;br /&gt;Sem fim.&lt;br /&gt;Em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-4266910446289566288?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/4266910446289566288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=4266910446289566288&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4266910446289566288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/4266910446289566288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/05/passou-pelo-cais-so-pra-dizer-ao-barco.html' title='Passou pelo cais só pra dizer ao barco: Nada me prende – sou eu que gosto mais do mar de dentro.'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-2480123854032956313</id><published>2009-05-23T00:02:00.000-07:00</published><updated>2009-05-23T00:06:55.025-07:00</updated><title type='text'>O Ator</title><content type='html'>Tinham combinado que jantariam juntos depois da apresentação, em comemoração ao fim da temporada. Francisco relutou a princípio, alegando que estava ansioso para dar início às suas férias-fora-de-época, mas o restante do elenco tratou de convencê-lo – a peça havia sido um sucesso de público e de crítica; o teatro estaria lotado naquela noite e um caso assim era tão raro para eles que seria uma heresia não comemorar. Francisco sorriu, entregando os pontos. Ser o único solteiro em toda a equipe era um motivo mínimo, infantil até, para não estar entre amigos em uma ocasião realmente importante como aquela. E talvez – pensou – se Ana Clara fosse assistir à peça ele pudesse convidá-la; quem sabe, e assim a noite estaria completa. Não voltaria a pensar no assunto. Era preciso concentrar-se em seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teatro estava mesmo lotado. Mil e duzentas pessoas mergulhadas no mar negro para além da ribalta, reagindo ao menor dos gestos realizados em cena. Francisco desempenhou o seu papel com uma devoção religiosa, convencido a abandonar qualquer emoção ou pensamento que não pertencesse ao personagem. E naquela noite todos os atores contribuíam muito, embriagados que estavam pela paixão por seu trabalho, decididos a se despedir do público em grande estilo. Foi a melhor apresentação que já fizeram. Quando o mar negro se acendeu, as mil e duzentas pessoas se levantaram de uma só vez para um aplauso estrondoso. Era a consagração do artista; o melhor pagamento que eles poderiam ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vertigem. Francisco não podia imaginar contradição maior: nunca em sua vida se sentiu mais só. Corria os olhos por aquelas gentes, à procura desesperada de Ana Clara, sem reconhecer um único rosto. E de repente não ouvia mais. Encontrar Ana Clara era só o que importava – não via nenhum sentido na palavra “sucesso”, não fazia questão de receber um único aplauso pelo que era apenas seu trabalho. Um trabalho como outro qualquer: como fabricar relógios, como carimbar as cartas no correio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente quando as luzes do palco se apagaram e a cortina começou a ser fechada foi que ele avistou Ana Clara, na oitava fila perto da parede. Ela estava acompanhada por um grupo de amigos, e obviamente se preparava para deixar o teatro. Ela não iria vê-lo, no camarim. Não falaria com ele. Num impulso, Francisco se lançou ao corredor, pensando que seria fácil alcançá-la antes que ela chegasse à porta. Mas foi uma odisséia. A cada passo, alguém o detinha para lhe dar os parabéns pelo “excelente”, “impressionante”, “maravilhoso espetáculo”. Francisco se demorava o mínimo possível: devia soar arrogante e ingrato, mas não havia tempo nem motivos para se preocupar com sua imagem. Ana Clara estava quase saindo. Estava na porta quando ele, espremido entre um casal de velhos, conseguiu estender o braço e tocar em sua mão. Ela se virou, encontrou seus olhos. Sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era um adolescente bobo e apaixonado. Tudo em volta desapareceu, e só o que havia no mundo era o sorriso iluminado de Ana Clara. Ele sorriu também, como um menino tímido. “Vamos sair para jantar”, disse, imaginando que o convite estaria implícito. Não conseguia pensar em nada melhor para dizer. Estava ocupado demais em se sentir fora do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Onde? – ela perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro rosto surgiu em seu lugar. Um completo estranho, com um brilho emocionado nos olhos, agitava a mão de Francisco e repetia que nunca em sua vida, nunca em sua vida ele tinha visto uma peça tão bonita. Francisco demorou demais para desfazer o sorriso. O mar de gente, os amigos de Ana Clara terminaram de arrastá-la para fora do teatro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-2480123854032956313?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/2480123854032956313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=2480123854032956313&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2480123854032956313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2480123854032956313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/05/o-ator.html' title='O Ator'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-3580343754304913005</id><published>2009-05-20T08:08:00.000-07:00</published><updated>2009-05-20T08:11:03.375-07:00</updated><title type='text'>O Poeta</title><content type='html'>Aquele menino nasceu com um defeito no cérebro – não, com poderes sobrenaturais – não, ele sofreu um trauma na infância – não, ele escrevia poemas, e por volta dos onze anos ele descobriu que – não, ele já passava dos vinte – descobriu que podia enxergar o inferno dos outros – não, ele decodificava os ambientes emocionais à sua volta – não, ele era um retraído incurável – não, ele podia ler pensamentos e prever o futuro – não, ele era só sensível demais e começou a perder a sanidade porque – não, na verdade ele achava tudo muito divertido, mas estava meio cansado de ouvir que talvez fosse melhor para ele procurar um psicólogo – não, um pai de santo – não, a bíblia – não, ele era índigo e tudo se explicava – estava cansado de ouvir demais quando ninguém estava realmente preocupado em entender – não, em ser um pouco mais parecido com ele – não, em deixá-lo viver a própria vida em paz – não, em explicar de que forma ele estava sendo mesquinho e egoísta – não, em parar para ouvir o que ele sabia muito bem – não, ninguém estava preocupado em parar para ouvir o que ele pensava sobre o amor e todas essas coisas que podem salvar o mundo – não, que só servem para fazer poemas – não, sobre as coisas que realmente importam, porque ele acreditava em sua cabecinha de menino – não, de fracassado – não, ele sentia em seu coração de poeta que alguma coisa estava muito errada – não, que o mundo ia acabar em 2012 – não, que usar palavras como amor e liberdade fora de &lt;em&gt;outdoors&lt;/em&gt; não deveria ser considerado escapismo, e ele queria mudar os conceitos das coisas – não, ele queria se matar – não, ele queria ajudar enquanto era tempo – não, ele queria se matar – não, ele só queria ver a vida de outra forma – nem sempre ele queria se matar – o que ele mais queria era escrever a frase perfeita, a frase mais bonita que alguém já escreveu, a frase que ficaria na cabeça de todos pelo resto da vida para que eles se lembrassem do que realmente importa – não, não importa, mas ele queria mesmo escrever uma frase bonita – não, ele queria que nada mais precisasse ser dito – não, ele queria apenas descobrir se alguém era capaz de enxergar a mesma beleza que ele neste mundo já saturado de frases tortas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-3580343754304913005?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/3580343754304913005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=3580343754304913005&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/3580343754304913005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/3580343754304913005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/05/o-poeta.html' title='O Poeta'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-594996562264315574</id><published>2009-05-17T21:43:00.001-07:00</published><updated>2009-05-17T21:46:40.656-07:00</updated><title type='text'>O Professor</title><content type='html'>Agradeço pela lição de hoje, mas sou eu quem não quer aprender a ter acessos de fúria. E honestamente não me importa quem você elegeu pra ser o grande responsável pelos seus fracassos: mais cedo ou mais tarde os caminhos apontarão pra dentro. É preciso crescer muitas vezes pra entender que a brincadeira não termina, e que ainda é tudo variação de ser ou não dono da bola, de estar ou não à frente no placar, de concordar ou não com as regras em um jogo sem juiz. E no final das contas, o que nos resta é simplesmente o fato de que estamos juntos, sem saber quem ensina a quem. Numa tarde eterna de domingo, sob o sol no campinho do bairro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-594996562264315574?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/594996562264315574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=594996562264315574&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/594996562264315574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/594996562264315574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/05/o-professor.html' title='O Professor'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-6589005205389478225</id><published>2009-05-15T22:16:00.001-07:00</published><updated>2009-05-15T22:27:38.366-07:00</updated><title type='text'>Instante</title><content type='html'>É a força de estar vivo que se espalha por meu sangue sempre que a palma da sua mão se encosta à palma da minha mão, seus dedos percorrendo os vãos entre meus dedos, e olhamos para longe como se estivéssemos ainda sós em mundos separados, mas tão próximos, tão iguais na superfície lisa da sua pele onde ela encontra a minha, como um par de espelhos voltados um para o outro, camadas sobrepostas de uma mesma tinta, irmãos siameses por escolha própria, e eu tenho essa impressão de que conheço a história da sua vida desde o tempo em que a maior felicidade que você podia sentir guardava-se entre os pelos de um tapete branco onde você rolava à noite, no vazio da sala, e sinto a liberdade que você foi conhecer quando soltou as mãos pela primeira vez descendo o morro em uma bicicleta azul-turqueza, e vejo com seus olhos o voraz fascínio que acendia os olhos do menino a quem você entregou o seu primeiro beijo e a vertigem da primeira noite em que se viu despida diante da nudez de um homem, e reconheço as marcas do cansaço que você sentiu nos longos anos em que procurou repouso em corações fechados, até que finalmente a vida se lembrou de ter-me feito só para o momento em que tropeçaríamos um no outro em uma loja de conveniências, ou desprendidos de qualquer noção de tempo entre as ruínas de uma civilização extinta na América Central, justificando enfim nossa presença neste mundo em que aprendemos a beber o fogo desde o coração do sol, na extremidade de um dos braços da galáxia, no universo que há na ponta dos seus dedos que afinal se fecham como um polvo sobre as costas da minha mão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-6589005205389478225?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/6589005205389478225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=6589005205389478225&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6589005205389478225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6589005205389478225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/05/instante.html' title='Instante'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-6530083826083118112</id><published>2009-05-12T08:01:00.001-07:00</published><updated>2009-05-12T08:07:31.567-07:00</updated><title type='text'>Sobre a melancolia</title><content type='html'>Quando você estiver em minha casa, leve de lá um poema do Vinícius que se chama &lt;em&gt;Ausência&lt;/em&gt;; minhas anotações sobre Penélope; todas as músicas do Clube da Esquina. Em uma das gavetas do escritório, você vai encontrar o meu caderno de segredos revelados – amores eternos, um medo sem fim de viver – que eu gostaria que você queimasse sem pensar em ler. Uma caixinha de música na cômoda do quarto, presente muito antigo, não deve nunca mais tocar seu &lt;em&gt;Pour Elise&lt;/em&gt;: leve um martelo. Quando você estiver em minha casa, não deixe o seu perfume em cada cômodo para eu sentir mais tarde; abra as cortinas contra o escuro; tire do vaso as flores muito secas. Na lavanderia, há sacos de lixo pretos: coloque neles minha boa memória, minha paciência para a espera, meu fascínio bobo pelas coisas que não posso ter. E, se couber ainda, leve também os fins de tarde, as noites de chuva, e sobretudo o riso interminável dos vizinhos. Não sei como me desfazer de tantas coisas. Preciso acreditar que elas jamais me pertenceram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-6530083826083118112?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/6530083826083118112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=6530083826083118112&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6530083826083118112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6530083826083118112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/05/sobre-melancolia.html' title='Sobre a melancolia'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-7170377284570270360</id><published>2009-05-04T00:01:00.000-07:00</published><updated>2009-05-04T00:11:28.005-07:00</updated><title type='text'>Como escrever seu próprio manual de sobrevivência</title><content type='html'>1. Comece registrando fatos sem nenhuma importância, por exemplo: "Hoje um inseto morreu no meu copo de suco".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Altere o sentido de algumas frases, de modo que elas acabem parecendo um pouco inusitadas. Um exemplo simples: onde você escreveu "Fui passear em uma estrada cheia de hortências", escreva "Passei o dia tentando acompanhar as hortências, mas elas sempre iam para o outro lado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Escute músicas de amor, de preferência as de um amor que deu certo. Não é preciso estar apaixonado: apenas cante junto e finja que está. Faça uma lista das suas preferidas e atualize quinzenalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Faça uma lista dos melhores momentos da sua vida. Demore-se bastante em cada um, procurando identificar as sensações que eles despertam. Lembre-se de que viver o presente não tem nada a ver com não regar flores de ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Não deixe o seu manual se viciar em um estilo. Quando achar que a ternura está virando melancolia, que as imagens vão ficando exageradamente coloridas ou que as declarações de amor começam a implicar com os defeitos do outro, tente escrever sobre alguma coisa que nunca antes havia passado pela sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Mas também não se vicie em evitar os vícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Prefira os lápis – mas nunca, em hipótese alguma tenha medo de se arrepender daquilo que escreveu. Para este caso, sugiro acrescentar ao seu manual o subtítulo: &lt;em&gt;Ao contrário do que se imagina, sobreviver exige uma boa dose de fraquezas&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-7170377284570270360?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/7170377284570270360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=7170377284570270360&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7170377284570270360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7170377284570270360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/05/como-escrever-seu-proprio-manual-de.html' title='Como escrever seu próprio manual de sobrevivência'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-2105036215246630564</id><published>2009-05-01T11:14:00.000-07:00</published><updated>2009-05-01T11:19:53.631-07:00</updated><title type='text'>Claro</title><content type='html'>Coração transparente, felicidade iluminada ao som das águas – brincar como criança à beira da cascata; rolar na grama entre formigas, cócegas, risada que se solta e vai pousar num galho alto ouvir notícias sobre o azul; abrigo e segurança desse estar presente e ter visitas: planos aéreos pra daqui a dois anos, a sensação ligeira de uma encarnação anterior; diamante ao sol; brilho dos olhos; a vida se descobre alegre e leve e doce porque toda angústia, todos os medos, tudo que fere ou perde recebeu enfim de todos os tarôs, todos os búzios, todas as linhas da tua mão a mesma e única resposta: &lt;em&gt;Bem mais simples&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-2105036215246630564?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/2105036215246630564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=2105036215246630564&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2105036215246630564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2105036215246630564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/05/claro.html' title='Claro'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-5731342164158011287</id><published>2009-04-28T00:31:00.001-07:00</published><updated>2009-04-28T00:47:06.565-07:00</updated><title type='text'>Crônica de um segredo que não me pertence</title><content type='html'>Raios de luz, cristais de muitas cores ocupam numa dimensão desconhecida o mesmo espaço em que eu, subitamente esquecido de tudo, enxergo apenas os teus pés voando escada abaixo em direção a mim. A concretude do teu corpo em roupas coloridas, teu cabelo solto, os braços e sorriso abertos vão curvando o espaço à tua volta na medida exata de um retrato; tudo é sólido e real, mas numa intensidade nova e infinitamente superior. Mas ainda assim, quanto mais próximo de ti menos compreendo essa realidade do mundo: para mim não somos mais do que dois corpos mergulhados em veludo, completamente imóveis um em frente ao outro, olhos nos olhos, sem compreender como é possível não estarmos juntos numa só matéria. E finalmente então, sem nada receber de ti além da breve sensação de um toque, percebo a minha pele dissolvendo em fogo as próprias cicatrizes, rugas, marcas – tudo o que nasceu do tempo; sou jovem outra vez e nada me ameaça: meu coração transborda lentamente a sua fonte oculta de imortalidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-5731342164158011287?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/5731342164158011287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=5731342164158011287&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/5731342164158011287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/5731342164158011287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/04/cronica-de-um-segredo-que-nao-me.html' title='Crônica de um segredo que não me pertence'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-6537256006295974189</id><published>2009-04-25T00:35:00.000-07:00</published><updated>2009-04-25T00:36:26.582-07:00</updated><title type='text'>Passar</title><content type='html'>Um a um&lt;br /&gt;caíram meus sonhos.&lt;br /&gt;E eu não estava lá.&lt;br /&gt;Ninguém mais estava.&lt;br /&gt;Lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem banhasse meus sonhos,&lt;br /&gt;vestisse-os de prata.&lt;br /&gt;Quem os guardasse um a um,&lt;br /&gt;talvez&lt;br /&gt;com o sal da palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como estar certo, agora,&lt;br /&gt;de que lá onde nem eu estava,&lt;br /&gt;entre os meus sonhos caídos,&lt;br /&gt;nada&lt;br /&gt;mais&lt;br /&gt;pulsava?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-6537256006295974189?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/6537256006295974189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=6537256006295974189&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6537256006295974189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6537256006295974189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/04/passar.html' title='Passar'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-8110610170800742614</id><published>2009-04-22T19:00:00.000-07:00</published><updated>2009-04-22T19:23:38.727-07:00</updated><title type='text'>Destempos</title><content type='html'>Ela era uma menina, e podia ser que eu a encontrasse em minha sala de aula na manhã seguinte, indecisa entre me chamar ou não de professor. Para ela uma aventura inédita, com a medida exata de absurdo e transgressão, com o gosto forte de incluir entre os segredos do diário: "estou confusa". Ela bebia uma mistura de refrigerante de limão com Curaçao Blue; vinha pedir que eu acendesse os cigarros de uma amiga. Tão bonita. Mas não havia muito o que dizer depois que trocamos nossos nomes. E eu ali, diante daqueles olhos grandes e curiosos de menina, pensando se beijá-la cairia bem agora que a banda começava a tocar Guns N' Roses. Sob as luzes coloridas que varriam o salão, completamente ilhados em uma das mesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu batom era de uva. Ela brincava com lembranças minhas sem saber – mas era bom fazer de conta que eu vivia tudo aquilo pela primeira vez. Ficar ali, sentado, pele contra pele, e trocar eventualmente o silêncio por um beijo. Minha mão se arriscava às vezes sob o seu vestido, só até um segundo antes de quando eu já sabia que ela iria me deter. Depois ela se afastava, fixava o olhar na banda e fazia um comentário qualquer a respeito do &lt;em&gt;Crepúsculo&lt;/em&gt;. Mas tão bonita. Foi ela quem pediu meu telefone na hora de nos despedirmos. Tudo, desde o início, tinha tido para ela aquele ar de promessa bem direcionada, de não se esvaziar depois em um ter-sido de uma noite. Foi por um divertimento bêbado que anotei meu número em um guardanapo. Enquanto um homem de roupão esperava por ela na saída do baile, protegido pelos vidros escuros de um carro importado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na manhã seguinte, não, ela não estava lá. Não em minha sala, não com aquele uniforme verde-água. Falei por duas horas sobre Machado de Assis, enquanto o meu coração anônimo sobrevoava as histórias de uma menina que se apaixonou por um vampiro. Eu quase queria que ela me telefonasse. Mas ali, no deserto mecânico do meu trabalho, meninas de sua idade levantavam a mão para falar comigo – e eu nem sabia mais como podia pensar que eram bonitas. Tão meninas. E eu ali, tentando explicar alguma coisa sobre as ironias do velho Machado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início da tarde ela telefonou. Queria saber como eu estava, se sonhei com ela. Falou durante muito tempo sobre os seus programas preferidos na televisão, sites legais, bichos de estimação e seu ódio mortal do professor de Matemática. Perguntou se eu não teria uma tarde livre na semana e se eu não gostaria de dar uma volta com ela, ir ao cinema, a um parque, sei lá. E eu acho até que gostaria. Mas tive que dizer que não; que eu era muito mais velho, que ela poderia ser minha aluna e que eu deveria era estar preocupado por ela beber nas festas e andar em companhia de fumantes. Ela fez um longo silêncio. Percebi que chorava. Por um segundo, achei que devia pedir desculpas, mas ela desligou no mesmo instante. Era tarde. Eu não sabia seu telefone, e tudo o que eu tinha era um nome comum – Paula, Caroline, já nem lembro. Queria muito conseguir lembrar. Mas realmente não faria a mínima diferença.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-8110610170800742614?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/8110610170800742614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=8110610170800742614&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8110610170800742614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8110610170800742614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/04/destempos.html' title='Destempos'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-8547712826574576594</id><published>2009-04-19T00:46:00.000-07:00</published><updated>2009-04-19T00:53:16.317-07:00</updated><title type='text'>Das pequenas surpresas</title><content type='html'>Só um pouquinho de atenção, bebê, e você descobre que a vida extrai poesia de si mesma. Essa vida confusa, essa vida sombria que levamos por fazer a opção de não entrar no jogo – sem medir a força, sem nenhum aviso prévio nos aplica um golpe ao acender a luz; ao encontrar velhos amigos; ao dobrar a esquina calculando as quadras que ainda faltam. Mas um golpe de beleza, meu bebê, aquilo que outros chamam de golpe de sorte. Só que então pensamos que o presente não é nosso, que não pode ser; que não o merecemos, afinal, de tão acostumados que ficamos a esperar sempre o pior. Porque nos viciamos na acidez da ironia; porque gastamos as palavras pra falar no amor como um efeito especial na tela do cinema. Mas um presente da vida, bebê, não pode ser ignorado, transferido, jogado fora ou devolvido ao remetente. Porque ele vai ficar ali pregado bem no centro da salinha de TV, até que você se canse de estar sempre tropeçando nele – e então perceba, pro seu grande espanto, que ele é simplesmente o copo d'água que você buscava no meio das noites.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-8547712826574576594?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/8547712826574576594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=8547712826574576594&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8547712826574576594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8547712826574576594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/04/das-pequenas-surpresas.html' title='Das pequenas surpresas'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-6960221749853894610</id><published>2009-04-16T00:25:00.000-07:00</published><updated>2009-04-16T00:28:54.958-07:00</updated><title type='text'>Mapa das horas</title><content type='html'>Canto porque fui como qualquer criança – e era o meu jeito de não escutar o que me incomodava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canto porque trago em mim o que a memória não apaga: amor secreto, alto do muro, vento no rosto ao passear de bicicleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canto pra não me esquecer de um tempo em que vaguei com medo, ferido e abandonado – e ao chegar em casa descobria flores no tapete em frente à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um tempo mágico de anjos e cataventos, de estrelas que caíam no telhado e a gente não sabia o que fazer com elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canto porque tudo segue vivo – e eu canto finalmente pra não me esquecer de agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-6960221749853894610?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/6960221749853894610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=6960221749853894610&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6960221749853894610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6960221749853894610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/04/mapa-das-horas.html' title='Mapa das horas'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-7388237612347639008</id><published>2009-04-13T07:57:00.000-07:00</published><updated>2009-04-13T08:12:19.930-07:00</updated><title type='text'>Sob um céu de abril</title><content type='html'>"Sim, estou apaixonada por você", ela disse. Havia algo de aéreo naquelas palavras, e havia essa poeira que pousava mansamente sobre um assoalho de madeira. Em uma biblioteca simples, no coração de um parque em Curitiba. "Você pode levar o que quiser", ela continuou, depois de longa pausa; "os livros que você emprestou, os quadros que você pintou pra mim. Pode levar aquelas noites todas que eu passei sonhando que você também me amava; as músicas de amor que me lembravam de nós dois; aquele monte de coraçõezinhos bobos que eu tracei com o dedo em vidros embaçados". Seria inútil responder. Nem nos olhávamos: mantínhamos o olhar perdido fora da janela, contemplando o lago, o seu reflexo pálido à luz da manhã. Ela continuava: "Pode levar a minha última esperança de me sentir segura – porque eu acho outra; pode levar a sensação intensa de estar viva que me vem só de escutar teu nome; pode levar essa alegria sólida, concreta, real e ao mesmo tempo mágica, infinita, delicada. Pode levar. &lt;em&gt;Eu acho outra&lt;/em&gt;". Não resisti à vontade de vê-la enquanto ela falava tudo aquilo. Por pura crueldade trágica. Eu a amava perdidamente, mas sabia que nossa história não iria adiante: vivíamos em mundos separados. Eternos como Adão e Deus no teto da capela. "Mas uma coisa você nunca vai poder levar", ela dizia enfim. E eu já sabia o que era. Porque era o que eu também diria se não fosse ela quem tivesse começado. "Você nunca vai poder levar uma certeza que eu tive no dia em que viemos aqui juntos pela primeira vez. Você nunca vai poder levar essa lembrança clara do dia mais feliz da minha vida. Você nunca vai poder levar o que ficou em mim: você nunca vai poder levar o que já é você dentro de quem eu sou".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-7388237612347639008?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/7388237612347639008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=7388237612347639008&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7388237612347639008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7388237612347639008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/04/sob-um-ceu-de-abril.html' title='Sob um céu de abril'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-1228446110529908774</id><published>2009-04-10T21:03:00.000-07:00</published><updated>2009-04-10T21:20:11.083-07:00</updated><title type='text'>A terceira noite</title><content type='html'>Na terceira noite de solidão, as coisas já não eram mais tão divertidas como nas outras duas. Viu-se de repente no centro da sala entre girassóis de plástico, versos de Cecília, porta-retratos vazios, um copo de conhaque, álbuns do Legião Urbana, pratos sujos, um par de meias, controles remotos, almofadas de renda, um violão, um abajur, um lápis, uma teia, o tapete, o cobertor azul, a tela da TV, o tédio e aquela ausência aterradora de outro corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terceira noite de solidão, a vida se cansou do fato de poder ser qualquer coisa. Pensou em escrever sua quadragésima carta de suicídio, em telefonar para desconhecidos, em publicar um livro de sonetos, em botar fogo na casa, em alugar um filme, em escalar um paredão de pedra, em atirar ovos em vira-latas, em não tomar um porre, em procurar no orkut a antepenúltima namorada, em adotar uma menina chinesa, em dormir debaixo do chuveiro, em comprar um video-game, em arrumar o quarto, em ficar catatônico, em fazer uma apresentação em Power Point com um texto ruim atribuído a Shakespeare, em seduzir, em se deixar ser reduzido, em inventar o que fosse para não ter que perceber aquela ausência aterradora de apenas outro corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terceira noite de solidão, a lógica se diluía por completo. Começou a elaborar um único romance que incluía amnésias induzidas, profecias maias, sofrimentos de um bobo-da-corte, namoros secretos entre adolescentes primos de terceiro grau, doze carnavais, sete viagens no tempo rumo a um único dia, uma cantora de ópera, um pequeno tornado, alusões ao Canto dos Centauros do &lt;em&gt;Inferno&lt;/em&gt; de Dante, luta de classes, uma voz incorpórea percebida como "quente e açucarada" por um homem enlouquecido em sua oitava noite de solidão, comentários técnicos sobre a arquitetura dos prédios mais antigos de Buenos Aires, uma rosa, um capítulo inteiro descrevendo os movimentos aleatórios dos peixes em determinado ponto do oceano, astronautas que descobrem que nunca mais poderão voltar à Terra, esportes radicais, instrumentos de tortura, mágoas, mangás e duas xícaras de cappuccino fumegante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-1228446110529908774?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/1228446110529908774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=1228446110529908774&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1228446110529908774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1228446110529908774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/04/terceira-noite.html' title='A terceira noite'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-1004542663787964801</id><published>2009-04-08T20:15:00.000-07:00</published><updated>2009-04-08T20:27:40.291-07:00</updated><title type='text'>Carta a um companheiro de batalha</title><content type='html'>Velho amigo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda pensando em melhorar o mundo, mas não muito atento ao que acontece nele desde que entrei em greve. Pelas condições precárias de trabalho, pelo ambiente insalubre; mas também por causa desse meu acúmulo de funções. Tranquei-me em casa e pendurei um cartaz na porta com os dizeres: "O mundo é dos espertos; eles que se virem" – ok, foi num momento de raiva, agora eu já tirei. Mas estou começando a achar que transformar o mundo é uma capacidade atávica, e estamos justamente naquela geração em que o gene não se manifesta. Será que alguém aí não pode dar uma mãozinha?!... Você sabe que eu tenho essa tendência ao messianismo, e me sentir sozinho não ajuda muito. Começo até a achar bonito as crianças daqui me chamarem de Jesus por causa dos cabelos e da barba que eu não tiro por preguiça (e uma menina da faculdade disse que eu lembro as imagens dele por causa dos olhos tristes!) Também é divertido reparar que da capital para a província eu fui do bairro Cristo Rei para o Menino Deus – veja bem, não é um detalhe delicioso? – mas a verdade é que eu gostaria mesmo de estar ocupado com alguma coisa mais importante do que isso. Não estaria na hora de organizarmos algumas reuniões secretas? Pichar muros, distribuir panfletos, ministrar palestras para os maiores interessados? Tem muita gente por aí pensando que somos do tipo "sem causa": não seria o momento de publicarmos nosso manifesto? Com reivindicações mais claras? "Queremos um mundo melhor", você sabe, caiu em descrédito – já deve ter estado em umas duzentas campanhas publicitárias, e só piora. Pense nisso, por favor. Depois conversamos. Mas não demore muito, sim?, porque daqui a pouco vão estar cobrando e eu realmente não queria ter que dar nenhum sermão na montanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-1004542663787964801?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/1004542663787964801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=1004542663787964801&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1004542663787964801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1004542663787964801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/04/carta-um-companheiro-de-batalha.html' title='Carta a um companheiro de batalha'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-6664204676921126404</id><published>2009-04-05T20:52:00.000-07:00</published><updated>2009-04-05T20:58:15.177-07:00</updated><title type='text'>Transitória</title><content type='html'>Deixo você dormindo até mais tarde, saio pra comprar o pão. Em pouco tempo a casa toda vai ter cheiro de café com flores; um sorriso a mais; o amor se espreguiçando no domingo. Bom dia misturado ao riso lá de fora, uma voz pequena repetindo ao pai eu-já-consigo-andar-tudo-isso-sem-rodinhas. Quem foi que teve a ideia de lhe dar uns olhos tão azuis? Eu posso lhe falar do mundo, de tudo que ele teve que passar pra que estivéssemos aqui – esse sentido último. Mas não que eu tenho que mostrar mais uma vez como espalhar manteiga!? (Podemos rir mais alto, pro escândalo completo dos vizinhos.) Eu passaria a vida inteira vendo o sol nas suas pernas. Mas antes do café esfriar, meu bem, experimente um pouco dessa torta; do coração da rosa; daquela nuvem que eu tive que mandar fazer...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-6664204676921126404?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/6664204676921126404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=6664204676921126404&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6664204676921126404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/6664204676921126404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/04/transitoria.html' title='Transitória'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-1248558223477345744</id><published>2009-04-02T22:24:00.000-07:00</published><updated>2009-04-02T22:55:41.195-07:00</updated><title type='text'>De repente uma tristeza adolescente</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_q4mahQ5JRH8/SdWd4AwfCHI/AAAAAAAAAEc/Ho-kXpxPRYE/s1600-h/Vis%C3%A3o+Noturna+do+Centro+fotografado+da+Reitoria+UFPR+por+Adilson+Gomes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320332120409704562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 180px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_q4mahQ5JRH8/SdWd4AwfCHI/AAAAAAAAAEc/Ho-kXpxPRYE/s320/Vis%C3%A3o+Noturna+do+Centro+fotografado+da+Reitoria+UFPR+por+Adilson+Gomes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Visão Noturna do Centro fotografado da Reitoria UFPR&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;por Adilson Gomes&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Seria bom, amiga, se eu conseguisse explicar por que meu coração ficou pequeno de uma hora para a outra; mas só sei que foi assim, e eu tive que dizer licença eu vou comprar um mate ou vou tomar um bonde; até que no fim, desculpa, eu acabei me debruçando na janela e tive que chorar tudo isso enquanto o professor falava. A gente não escolhe, amiga, nem a dor que sente nem a hora de sentir – seria bonito, seria um passeio hippie pelo bosque, disco infantil contendo uma historinha inofensiva para o seu menino, seria um ídolo de ouro com a nossa cara se a vida conseguisse ser menos estúpida e canalha como acaba sendo vez ou outra. Então é tudo uma questão de segurar as rédeas? Então não é num tigre que montamos? Seria bom, amiga, se fosse uma questão de ter vontade ou lucidez. Mas a gente simplesmente não escolhe o amor que sente. A gente não escolhe não encontrar ninguém. A gente não escolhe esse cansaço no final do dia, no alto de um prédio em uma aula de Grego Avançado, e se sentir completamente zonzo e só quando ao olhar pela janela reparamos no cair da noite sobre uma cidade que não tem mais fim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;hoje à noite&lt;/em&gt;, diz Leminski,&lt;br /&gt;(anote em seu caderno)&lt;br /&gt;&lt;em&gt;hoje à noite&lt;br /&gt;lua alta&lt;br /&gt;faltei&lt;br /&gt;e ninguém sentiu&lt;br /&gt;a minha falta&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bobo, eu sei. Mas por hoje é tão... verdade...&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-1248558223477345744?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/1248558223477345744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=1248558223477345744&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1248558223477345744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1248558223477345744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/04/de-repente-uma-tristeza-adolescente_02.html' title='De repente uma tristeza adolescente'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_q4mahQ5JRH8/SdWd4AwfCHI/AAAAAAAAAEc/Ho-kXpxPRYE/s72-c/Vis%C3%A3o+Noturna+do+Centro+fotografado+da+Reitoria+UFPR+por+Adilson+Gomes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-363986242179024101</id><published>2009-03-31T20:54:00.000-07:00</published><updated>2009-03-31T21:05:08.749-07:00</updated><title type='text'>Luzia</title><content type='html'>A primeira vez que amei alguém foi aos sete anos de idade. Soube num domingo, num passeio de carro com meus pais pela cidade. Chovia muito. Eu ia sozinho no banco de trás, talvez mal humorado, contemplando em silêncio a chuva na calçada. Foi quando ela surgiu. Luzia. Uma menina da minha sala. Nunca soube o que ela fazia ali, sozinha na chuva, no centro da cidade. Estava encharcada, caminhando devagar. A cabeça baixa, os pés quase descalços arrastando as havaianas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei o resto do dia perturbado. Não consegui comer. Demorei para dormir e tive sonhos incômodos. Para mim era novo. Na manhã seguinte, não sabia mais o que fazer para passar o tempo – já queria estar na escola. Queria vê-la. Queria decifrá-la. E quando finalmente estive lá, sentado em minha cadeira de palha, vendo Luzia concentrada em uma aula de Ciências Sociais, tomei a decisão mais corajosa e ao mesmo tempo natural que poderia ter tomado: fui beijá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na boca, sem nenhuma pressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sala toda estremeceu. Luzia me olhava com uns olhos muito grandes e, um pouco indelicada, limpava meu beijo com as pontas dos dedos. A professora havia parado de falar: olhava para mim entre furiosa e aturdida – e nada mais no mundo se movia. Eu olhava de uma à outra, sem saber o que fazer também. Estava confuso, oco, profundamente decepcionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não tem gosto de chuva – murmurei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um amor muito breve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-363986242179024101?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/363986242179024101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=363986242179024101&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/363986242179024101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/363986242179024101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/03/luzia.html' title='Luzia'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-3979749438837043783</id><published>2009-03-28T22:31:00.000-07:00</published><updated>2009-03-28T22:40:59.082-07:00</updated><title type='text'>Sentido</title><content type='html'>Na contramão do outono, vou recolhendo a poesia delicada de nascer. Para muito além do antigo vício de ver sombras, na intimidade do meu lar, onde não há ninguém, minha alma redesenha a si mesma como flor alguns segundos antes de se abrir. Lá fora não há mais culpados: todas as primeiras pedras foram lançadas à exaustão – até restarem estas mãos vazias e cansadas, mãos sem afago, mãos envelhecendo a cada dia. E um espaço deserto que só o espírito preenche, no exercício de gerar ou enxergar o que se possa chamar de Beleza. Na incidência da luz, na palavra terna, o que se encontra não será jamais algum conforto externo, que afinal não há, sendo outono, mas a música possível de um coração que ainda sente, embalando com cuidado a sua própria pulsação desordenada. O homem sensível, o homem chorando lágrimas reais não era enfim aquele que perdia, mas o que reconstrói, pai de si mesmo, irmão e filho, o abrigo sólido de uma esperança finalmente mais madura. Virá a primavera, então. E o seu nome deixará de ser colher as flores, e passará a ser somente cultivá-las, a partir de si, para quem sabe um dia compreender as que nasceram, se nasceram, naqueles outros tantos corações desordenados. Não mais do que esse pouco. Não mais do que esse sonho, agora tão distante, mas tão possível que a maior ingenuidade é ainda pensar que seja um sonho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-3979749438837043783?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/3979749438837043783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=3979749438837043783&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/3979749438837043783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/3979749438837043783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/03/sentido.html' title='Sentido'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-3631653743712684362</id><published>2009-03-24T21:16:00.000-07:00</published><updated>2009-03-24T21:51:05.611-07:00</updated><title type='text'>Pequenas verdades, a verdade inteira</title><content type='html'>Então nos desligamos, Sabine, e eu quis morrer porque achei que não podia mais acreditar na profundidade do amor que eu sentia – e não acreditar no próprio amor é uma coisa amarga de se provar. Demorei muito pra entender que ele estar errado não queria dizer que ele não existisse, e que era tudo uma questão de ajustar a lente e girar mais uma vez o caleidoscópio das palavras. Sim: eu te amo ainda, Sabine, mas agora em outras palavras. Só que vaguei meio perdido nesse tempo achando uma injustiça você não ouvir ou não acreditar ou não querer o sentimento mais sincero e puro que eu tinha pra te oferecer. Porque não era mentira, Sabine – eu só estava enganado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por agora eu continuo meio às cegas, sentindo calado, vivendo de pura inércia. Quando estamos juntos, você diz alguma coisa bela ou triste e eu tenho vontade de pedir pra que você repita em voz baixa ao meu ouvido, à meia-luz quem sabe, sobre aquele seu lençol de seda cor-de-rosa. Mas percebo que o instante de você falar é só o que realmente importa. E assim eu sinto dissolver-se aos poucos, muito aos poucos, aquela sede sem fim do seu corpo: não vê-lo, provar ou possuir, mas escutar apenas. E concordar ou não, mas estar sozinho de qualquer maneira. Entre lembranças tortas, Sabine, entre umas poucas possibilidades inconclusas que só amanhã ou depois ou mesmo nunca vão se reduzir a uma única.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nesse caos, Sabine, às vezes tenho vontade ainda de pedir que alguém cuide de mim, que demonstre um pouco mais de afeto, que alguém por favor comente coisas agradáveis sobre mim antes que eu comece a acreditar que elas já não existem... Mas eu sei, Sabine, sei muito bem como sempre fui complicado, que é só alguém me dirigir um olhar e eu já me apresso em delimitar espaços, esquivar-me da atenção conquistada – porque o fato mesmo é que não me interessam nem a piedade nem essas paixões completamente cegas que sempre aparecem. Veja você... Mas aí fico lutando mais e mais comigo mesmo pra me fixar num meio-termo entre a total invalidez e o poço das vaidades. E isso tem sido difícil, Sabine. Porque é só me distrair um pouco e já estou de volta a um dos extremos. O que foi que aconteceu comigo, Sabine – e por que você tem que estar assim ridiculamente com a razão ao dizer que eu vou descobrir se vivermos apenas como bons amigos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu me lembrei... eu sei, não tem nenhuma ligação muito direta com isso tudo, mas fiquei pensando em como ainda é possível acreditar que a sinceridade é bem-vinda, seja a verdade qual for – e que tudo depende apenas de quem ouve. Aconteceu que, nos tempos em que eu dava aulas pra adolescentes da periferia, tentei fazer alguns trabalhos de grupo pra criar um ambiente mais pessoal e agradável e, depois de várias tentativas frustradas, um dia resolvi fazer um Jogo da Verdade. Então havia esse menino, o Lucas, que era exageradamente expansivo e hiperativo, mas incapaz de demonstrar afeto, até que no jogo eu fiz questão de perguntar qual era a pessoa da turma de quem ele mais gostava. Ele pareceu engasgar; a sala toda silenciou na mesma hora. Ele demorou, lutando consigo mesmo, olhando em volta com os olhos arregalados, até que finalmente apontou em direção a outro menino. Foi a minha vez de engasgar: achei que precisava dizer alguma coisa logo, antes que alguém fizesse uma piada com o fato de ele ter apontado pra um menino – mas a turma foi mais rápida. Em um segundo, Sabine, estavam todos aplaudindo, sem dizer uma só palavra. &lt;em&gt;Aplaudindo&lt;/em&gt;, Sabine. Adolescentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-3631653743712684362?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/3631653743712684362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=3631653743712684362&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/3631653743712684362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/3631653743712684362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/03/pequenas-verdades-verdade-inteira.html' title='Pequenas verdades, a verdade inteira'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-1027708083802282129</id><published>2009-03-22T21:07:00.000-07:00</published><updated>2009-03-22T21:14:06.937-07:00</updated><title type='text'>Anotações de sábado</title><content type='html'>1. A chuva simplesmente &lt;strong&gt;mergulhou no dia&lt;/strong&gt;: as opções estão bastante reduzidas. Pegar a estrada só pra ver &lt;strong&gt;a textura da luz refletida no asfalto&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Deixar &lt;strong&gt;fluir o pensamento&lt;/strong&gt;, sem rever, sem represar. Adágio da &lt;em&gt;Sonata K. 332&lt;/em&gt; de Mozart e um &lt;strong&gt;pacote de caramelos&lt;/strong&gt;. Toda a realidade &lt;strong&gt;se dissolve numa abstração cinzenta&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. &lt;strong&gt;Excessivamente melancólico&lt;/strong&gt;. No meu caderno, estava sublinhado duas vezes. As sensações &lt;strong&gt;flutuam&lt;/strong&gt; sem recursos práticos, e eu começo a duvidar de que &lt;strong&gt;já tenham tido&lt;/strong&gt; um rumo definido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. &lt;strong&gt;Chegar até você&lt;/strong&gt;. Urgentemente, porque a chuva engrossa; não mais que &lt;strong&gt;segurar a tua mão&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;te dizer que logo passa&lt;/strong&gt;, que não estamos tão perdidamente sós, que pelo menos &lt;strong&gt;eu te amo o meu amor de pássaro&lt;/strong&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-1027708083802282129?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/1027708083802282129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=1027708083802282129&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1027708083802282129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1027708083802282129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/03/anotacoes-de-sabado.html' title='Anotações de sábado'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-1376369051725417420</id><published>2009-03-11T19:10:00.000-07:00</published><updated>2009-03-11T19:18:38.191-07:00</updated><title type='text'>Flashback</title><content type='html'>A cidade é muito grande para estar tão quieta, Nina, para contar num dedo só os poetas trágicos que, avidamente, bebem a meia-chuva nessas ruas amarelas de paralelepípedos. Só a teu lado, Nina, só quando você cruzava silenciosa a noite que eu também sofria havia algo de alegre nesta escuridão borrada. Até chegarmos à penumbra de um apartamento baixo, de poltronas velhas, de cigarros e conhaque ao som de uma irlandesa de quem nunca perguntei o nome. E eu te amava sem palavras, sem sentidos, só um deslumbramento vago pelo branco delicado da tua pele. Nina, Nina; você falava muitas coisas que eu não entendia: romancistas tchecos, dançarinas búlgaras, filósofos sul-coreanos povoavam teu apartamento como convidados óbvios – e &lt;em&gt;como&lt;/em&gt;  eu manteria o meu orgulho sem saber quem eles eram? A tua companhia era o mistério bruto, Nina, indevassável, numa solidez incômoda de tanto "agora". E agora um mais-ou-menos dentro do meu peito; não mais que um nome bêbado de meu vazio-memória, madrugadas mortas, fantasma que escorreu do meio-fio para os meus pés que são os últimos na noite do planeta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-1376369051725417420?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/1376369051725417420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=1376369051725417420&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1376369051725417420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1376369051725417420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/03/flashback.html' title='Flashback'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-2620569648633648652</id><published>2009-03-08T18:32:00.000-07:00</published><updated>2009-03-08T18:45:58.493-07:00</updated><title type='text'>Oferendas possíveis</title><content type='html'>Nem reparou na mancha negra que deixou com o dedo no botão da campainha. Olhava em volta com certa avidez, à procura de galinhas no quintal – não fazia sentido não haver nenhuma – e observou atentamente alguns detalhes da arquitetura da casa. Demorou para perceber a porta entreaberta, o rosto claro que se espremia no espaço limitado por uma corrente, o olhar de receio que ele conhecia tão bem. O menino não teria mais que doze anos. Passou a mão pelos cabelos, pigarreou, tentou parecer confiável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pode dar uma maçã – disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveria ter soado mais como uma pergunta. O menino arregalou os olhos, grunhiu alguma coisa como "espera um pouco" e tornou a fechar a porta. O ruído seguinte era o de duas voltas com a chave. O homem bêbado, sujo e maltrapilho desabou sobre o degrau da varanda e escondeu o rosto para chorar. Era mesmo um exagero imaginar que teria entrado na casa. Ficou ali por um bom tempo, sensivelmente mais embriagado com a avalanche de velhas sensações, até que a voz distante do menino veio chamar-lhe de volta ao momento presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O senhor não vai poder ficar aqui – dizia ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava usando roupas de escoteiro. Olhava firme para o visitante, agora com a porta totalmente aberta, e segurava uma maçã na mão direita. O homem ficou de pé e se permitiu uma olhada rápida para o interior da casa. O menino recuou um passo; ergueu a fruta em direção a ele, como se dissesse que era tudo o que ele poderia levar. Ele pegou a maçã e imediatamente levou-a à boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas o senhor precisa ir comer lá fora – insistiu o menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem olhava para ele quase com desinteresse. Continuou a mastigar sem se mover um passo, e quando terminou disse tranquilamente, numa voz que então soou mais limpa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Morei aqui tinha a sua idade. – Fez uma pausa, agitou a maçã no ar e acrescentou: – Eu que plantei essa macieira no quintal dos fundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino pareceu atordoado. Para o homem, era o bastante: a confirmação final de sua vitória. Sorriu brevemente, inclinou a cabeça em sinal de agradecimento e seguiu cambaleando em direção à rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele desapareceu, o escoteiro calculou que aquela boa ação deveria valer por pelo menos uns dois meses. E a perfeição foi justamente não ter dito nada. Mas o fato era que não havia macieira alguma no quintal dos fundos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-2620569648633648652?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/2620569648633648652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=2620569648633648652&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2620569648633648652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2620569648633648652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/03/oferendas-possiveis.html' title='Oferendas possíveis'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-7809886740018981484</id><published>2009-03-04T21:26:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T21:39:34.956-08:00</updated><title type='text'>Do princípio</title><content type='html'>O que é do coração pede licença pra nascer. Debate-se em palavras, fere, é ferido, envergonha-se de ser tão frágil. Não sabe o que é beleza; não atende ao que se espera: apenas nasce num pedido de desculpas, assustado de existir, trêmulo, tímido. Nem saberia o que fazer se lhe pagassem o seu preço pelo encantamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é do coração leva o seu tempo – conquistando espaços. Não pede muita coisa além do olhar atento, da lembrança de que vive; mas não rouba, não consome, não invade. Existe, e isso é tudo o que lhe cabe. No ponto em que o deixamos, como um livro e, se for quadro, tem mesmo um tempo de secar a tinta pras camadas que ainda faltam. E permanece assim, e exala o seu perfume denso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um dia, cansado de conter a própria natureza, o que é do coração escapa de si mesmo. Rompe as grades; transborda como lava e rocha e asa pra habitar um corpo – e nele pulsa, e nele acorda, e nele move: o que é do coração não tem mais volta; o que é do coração tornou-se um homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-7809886740018981484?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/7809886740018981484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=7809886740018981484&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7809886740018981484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7809886740018981484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/03/do-principio.html' title='Do princípio'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-1040270181643129110</id><published>2009-02-27T23:45:00.000-08:00</published><updated>2009-02-27T23:50:32.727-08:00</updated><title type='text'>Carícia</title><content type='html'>Tire os sapatos. Não quero ouvi-los sobre as tábuas da varanda. Estou fazendo parte da paisagem; estou cuidando a brincadeira das crianças. Não fale nada. Sente-se ao meu lado; ajeite com a mão as dobras do vestido. Longe, veja, o sol poente só ilumina as árvores no topo das montanhas – saboreie um mate; eu saboreio o instante de ter olhos verde-ouro. Mas em silêncio, agora. Só mais um pouco. A pele se prepara para um toque, para uma carícia. Que seja doce. O gato que se enrola em nossas pernas, o nome dele é noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-1040270181643129110?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/1040270181643129110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=1040270181643129110&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1040270181643129110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1040270181643129110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/02/caricia.html' title='Carícia'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-5038383105212353480</id><published>2009-02-24T20:48:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T21:05:55.119-08:00</updated><title type='text'>Carta a um aprendiz</title><content type='html'>Caro amigo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente reconheço as dificuldades que você diz enfrentar, e peço desculpas por não ter previsto que elas poderiam surgir. E de fato, como você me expôs em sua carta, a invocação da chuva para alívio das sensações desagradáveis do espírito raramente funciona em ambientes urbanos, onde a concentração de mana é um pouco menor ou, como preferem alguns, menos pura. Não se deixe ver, meu caro, repetindo os nossos gestos de invocação em praça pública ou em filas de supermercado: dificilmente eles produziriam efeito, e as pessoas à sua volta não ajudariam muito em vê-lo como um dançarino excêntrico exibindo sua arte onde bem entende. Sugiro que você realize esta magia bem mais simples, que eu já deveria ter-lhe ensinado, e que apesar de levar mais tempo exige consideravelmente menos mana:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sente-se no chão. Prefira os pisos de azulejo, cimento cru ou qualquer coisa assim que remotamente lembre as nossas plataformas de pedra. Feche os olhos e se conecte às sensações desagradáveis. Concentre-se bem. Perceba que elas são moldáveis, como quaisquer energias, e lentamente comece a reuni-las – use as mãos, não se limite ao pensamento – em uma esfera compacta do tamanho de uma bola de tênis. Deixe essa esfera flutuando à sua frente, na altura do rosto, e observe-a bem com os olhos da mente. Muito cuidado nessa fase: as sensações desagradáveis são esquivas, e tentarão a todo custo retornar ao seu espírito. Afaste-as repetidas vezes com a mão direita, mantendo-as na esfera compacta, e diga em voz alta quantas vezes julgar necessário: Já estamos desligados. Somente quando estiver certo de que as sensações permanecerão na esfera, levante as duas mãos em sinal de paz e comunique: Vou lhes dar forma. Pergunte qual a forma que elas gostariam de ganhar e mãos à obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esta altura, seu próprio mana já estará fluindo em quantidade suficiente para qualquer materialização simples, o que invariavelmente será o caso. O mais comum é que as sensações escolham uma forma artística – florzinhas de biscuit, estátuas de jade, blogues de poemas – e acredito honestamente que você não terá a menor dificuldade em atender-lhes o pedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não se espante, meu amigo, se acaso elas optarem pela forma básica da lágrima. Lembre-se sempre de que as sensações desagradáveis não são mais que uma desordem temporária no mana, que sem descanso lutará para voltar à sua forma pura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com votos de melhoras,&lt;br /&gt;receba o meu sincero abraço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-5038383105212353480?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/5038383105212353480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=5038383105212353480&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/5038383105212353480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/5038383105212353480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/02/carta-um-aprendiz.html' title='Carta a um aprendiz'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-7722139790321769468</id><published>2009-02-10T18:37:00.000-08:00</published><updated>2009-02-10T18:40:24.307-08:00</updated><title type='text'>Terra estrangeira</title><content type='html'>Não é que eu tenha medo – nada disso é novo. A sensação de caos é sempre a véspera de um Big Bang possível. Se estou assim, é porque assim eu devo estar: meio confuso. Imóvel à beira do caminho. Tenho certeza: você foi feita pra que eu me perdesse, e é só questão de tempo até que eu recomece. Depois, até aceitar o engano; depois até acertar o grito. Mas por enquanto eu só cheguei até uma placa de "perigo".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-7722139790321769468?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/7722139790321769468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=7722139790321769468&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7722139790321769468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7722139790321769468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/02/terra-estrangeira.html' title='Terra estrangeira'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-2568253988487101876</id><published>2009-02-09T08:41:00.000-08:00</published><updated>2009-02-09T08:53:55.769-08:00</updated><title type='text'>Crônicas</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Mas no teu pequeno planeta, bastava recuar um pouco a cadeira. E contemplavas o crepúsculo todas as vezes que desejavas...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;– Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;E um pouco mais tarde acrescentaste:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;– Quando a gente está triste demais, gosta do pôr-do-sol...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;– Estavas tão triste assim no dia dos quarenta e três?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Mas o principezinho não respondeu."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Antoine de Saint-Exupéry)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que eu nunca te contei como me arrependi de não ter alugado aquela casa perto do aeroporto, só porque a do proprietário ficava no mesmo terreno e eu estava preocupado com um pouco de privacidade. Acho que eu nunca te contei que tive que rolar minha televisão escada acima, porque ela era grande e desajeitada demais pra levar no colo e eu não tinha a quem pedir ajuda só pra isso. Nunca te contei que da varanda eu tiro cinco ou seis teias de aranha diariamente, mas que às vezes fico com preguiça e deixo pra tirar as dez ou doze do dia seguinte. Acho que eu nunca te contei como tem noites que eu apago as luzes todas e fico andando de um lado pro outro, falando sozinho, meio que brincando de esconder comigo mesmo. Nunca te contei que ainda não ter posto cortinas é meu jeito de pensar que tenho companhia. Nunca te contei do dia em que queimei meus dedos descascando ovo cozido, ou então da noite que passei em claro por causa de um alarme que só foram desligar às oito da manhã. Nunca te contei sinceramente tudo o que inventei pra suportar aquela vida de não mais que três abraços por semana. Nunca te contei – enfim, por que eu teria te contado? – que as vezes que você ligou e eu não estava em casa, tinha saído justamente pra não ver passar a tarde enquanto eu esperava. Nunca te contei... Eu sei, a culpa é minha. E como eu fui pensar que alguém teria adivinhado?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-2568253988487101876?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/2568253988487101876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=2568253988487101876&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2568253988487101876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2568253988487101876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/02/cronicas.html' title='Crônicas'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-2433975050762194154</id><published>2009-02-06T18:20:00.000-08:00</published><updated>2009-02-06T18:24:22.923-08:00</updated><title type='text'>O Signo de Touro</title><content type='html'>Era preciso que alguma coisa fosse eterna. Que estivesse lá todos os dias com o mesmo gosto, com o mesmo rosto. Arte rupestre, provérbio chinês, Acrópole, rima batida. Talvez como um eixo ao redor do qual pudesse gravitar o novo – um novo reverente. Luazinha submissa. Pra que fizesse sentido a obrigação da jornada em um mesmo corpo. Com um único nome. Pisando o que em qualquer lugar se chama pedra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-2433975050762194154?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/2433975050762194154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=2433975050762194154&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2433975050762194154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2433975050762194154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/02/o-signo-de-touro.html' title='O Signo de Touro'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-8158639176029174654</id><published>2009-02-02T09:58:00.000-08:00</published><updated>2009-02-02T10:03:11.458-08:00</updated><title type='text'>Identidade</title><content type='html'>Quando ela disse "eu gosto muito de você", não era a fama, a grana, o diploma na parede; não eram os poemas que eu mandava; não eram as canções que eu lhe fazia. Quando ela disse "eu gosto muito de você", não disse mais "doutor", ou "professor", ou "mano velho"; não disse nem meu nome; não esperou que eu respondesse nada. Falou assim, olhando nos meus olhos, mas meio sem pensar e por acaso, como se dissesse "é terça-feira", ou como se bebesse um gole d'água. Quando ela começou "eu gosto muito", e estava tão inteira e tão sincera, podia só dançar diante do espelho – que eu ia ser "você" na imagem dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-8158639176029174654?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/8158639176029174654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=8158639176029174654&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8158639176029174654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8158639176029174654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/02/identidade.html' title='Identidade'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-7046498455444837820</id><published>2009-01-31T18:38:00.001-08:00</published><updated>2009-01-31T18:38:45.566-08:00</updated><title type='text'>Bianca</title><content type='html'>Eu teria levado flores, mas na verdade não sei bem por que. Já eram oito da manhã quando eu desisti de dormir e saí de casa na esperança de te ver. Primeiro ia comprar as flores – mas não sei, achei melhor comer alguma coisa antes. Ultimamente, tudo o que eu como tem um gosto amargo, parece limonada de ontem. Levei um tempo pra aceitar que era só isso que eu teria do meu pão com queijo. Pensava em tudo que eu queria te dizer – não bastaria levar flores? Dispensaria ao menos o cartão, diria pessoalmente: isso é só porque você telefonou no meu aniversário. Você acharia muita graça. São só umas flores do campo – eu tentaria despistar. Mas você entenderia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então no caminho eu me lembrei de que você tirou a semana de folga no trabalho. E isso complicava um pouco as coisas. Primeiro porque ainda não sei onde você mora, e segundo porque não podia correr o risco de dar de cara com o seu marido. Ele não entenderia. Mesmo que eu tivesse essa desculpa de entregar papéis sem importância, na sorte que eu tive do meu trabalho se cruzar com o seu em algum ponto, as flores ficariam deslocadas. Pesadas, maiores que a largura da porta. Fiquei um tempo rodando pela cidade sem saber pra onde ir ou o que fazer. Quem sabe uma flor qualquer roubada em um quintal? O certo era que eu iria até sua casa. E pra isso bastaria uma visita rápida a uma amiga em comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei o caminho mais longo. Ainda não sabia a razão, mas era o próprio tempo quem estava me atrasando. Quando cheguei à porta do apartamento da Raquel, você estava ali, parada, com a mão apoiada ao lado do botão da campainha. Como foi bonito o seu sorriso por me ver chegar. Bem mais que as flores que eu não tinha. E talvez fosse melhor assim, porque só agora eu tinha uma ideia um pouco mais clara do que estava sentindo. A Raquel não estava? Tudo bem, eu disse – confessei que estava ali justamente porque queria o seu endereço, e recorri à desculpa dos papéis urgentes e desimportantes. Falamos naturalmente. Disse que precisava dos papéis preenchidos até o final da semana; você disse que estaria meio ocupada, revisando discursos do seu marido, mas que faria o possível pra me devolver antes da sexta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho engraçado você levar a tal extremo a sua vidinha de esposa interiorana. Mas não disse nada – acho até que faz parte do seu encanto. Agradeci pela ligação no dia do meu aniversário, e só achei triste que nem passou pela sua cabeça que isso quase me fez te levar flores. Despedimo-nos sem mais o que dizer. Beijos no rosto, até depois, espero que você mande notícias. Entrei no carro me sentindo leve, alegre mesmo, saboreando a minha lucidez tranquila e inesperada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei por que perdi meu tempo querendo te falar em um espelho e por enigmas. Acho que são os outro que não têm a menor ideia de tudo que o amor permite. Porque não há nada de mais aqui, e pra mim estão bem claras as fronteiras do desejo. No fim, é só que eu tenho andado muito sozinha, e poucas coisas neste mundo são mais fáceis de se amar que o seu sorriso, minha querida Luiza. Esse seu claro sorriso gratuito. Como se estivesse cheio de motivos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-7046498455444837820?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/7046498455444837820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=7046498455444837820&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7046498455444837820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/7046498455444837820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/01/bianca.html' title='Bianca'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-1774049791015210991</id><published>2009-01-29T16:26:00.000-08:00</published><updated>2009-01-29T16:28:06.916-08:00</updated><title type='text'>Material didático</title><content type='html'>Coração de gente é mundo muito grande pra se conhecer numa só vida. Terras sombrias, então – que essas não faltam – a cada passo se desdobram em milhões de novos mundos. Labirintos, pântanos, abismos em progressão geométrica. Frequentemente alguém se perde por ali, no bom e velho exercício de buscar saídas. Só que às vezes não buscam e não saem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alma de gente tem casulo – mas não é pra morte que a lagarta se retira. Sozinho no escuro, no medo e na dor, nem sempre a gente entende o puro instinto que prepara o voo. Porque voar é impossível – e disso, qualquer lagartinha sabe. Mas um dia a gente cansa e começa a arranhar as paredes. Até que alguma coisa se abre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabeça de gente pode muito bem se virar pro alto – que estrela sim é um infinito que interessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luz de gente não se ensina: se acende.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-1774049791015210991?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/1774049791015210991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=1774049791015210991&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1774049791015210991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/1774049791015210991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/01/material-didatico.html' title='Material didático'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-2537897848079628259</id><published>2009-01-27T13:39:00.000-08:00</published><updated>2009-02-14T15:25:50.569-08:00</updated><title type='text'>Retratos de sensação pura</title><content type='html'>1. Você segura o meu cabelo pra eu lavar o rosto, eu fecho os olhos e me demoro um pouco sentindo a água fria nas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Você pede desculpas por dormir – enquanto eu dirijo na estrada com sono e com chuva – mas dorme com a mão pousada sobre a minha perna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Você se aninha nos meus braços, e por trás dos olhos eu começo a ver campos floridos, jardins de palácios, cascatas despencando sob um céu intensamente azul – mas não consigo te provar que são bonitos os teus paraísos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. A gente briga, e no primeiro reencontro eu descubro o que é saber de cor o teu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Você me pede pra eu nunca te deixar, mas só consigo dizer que vou te amar pra sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-2537897848079628259?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/2537897848079628259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=2537897848079628259&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2537897848079628259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/2537897848079628259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/01/retratos-de-sensacao-pura.html' title='Retratos de sensação pura'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-8984963305767318268</id><published>2009-01-25T10:13:00.000-08:00</published><updated>2009-01-25T10:17:38.901-08:00</updated><title type='text'>Entre</title><content type='html'>Fechado em uma sala de ensaios, o mundo inteiro se resume aos corpos que expressam, ouvem e se tocam. As quatro paredes são de liberdade: tudo é possível quando objetos, ruas, saldos bancários e hiperlinks dão lugar a um ser humano diante de si mesmo. Um templo se define – etimologicamente, só existe religião no encontro. E nada invade um espaço sagrado, a não ser com os pés descalços. Vendo alguém dançar, e quando sei que essa dança é a mais pura expressão de um coração que ainda sente, basta cruzar um olhar, complementar um gesto, compor com o outro – e já não pode haver dúvidas de que Deus existe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-8984963305767318268?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/8984963305767318268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=8984963305767318268&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8984963305767318268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/8984963305767318268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/01/entre.html' title='Entre'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5302710778049023546.post-5185650689115851303</id><published>2009-01-22T18:43:00.001-08:00</published><updated>2010-10-02T11:35:18.328-07:00</updated><title type='text'>Pequena Alegoria</title><content type='html'>A aia do principezinho vagava pela imensidão do palácio sem ter com quem conversar. De companhia, apenas a criança que ela aprendia a amar a cada pouco – o menino orgulhoso e confundido pela ideia de que um dia seria rei. Passava com ele manhãs e tardes, descobrindo e arquitetando traços em comum – ela mesma sem lembranças de um amor de pai. Quando inventou de costurar para ele roupas de guerreiro, um pouco para amenizar a solidão das noites, foi porque já àquela altura conhecia bem os sonhos do menino. E foi assim que se lançou ao trabalho, a princípio cantando com alegria, depois espantada pelo fato de uma ideia tomar formas através de suas mãos. Prendia com cuidado cada uma das peças, cada uma das pedras do bordado, ora pensando se já não havia demasiado brilho, ora se o menino entenderia que era sua maneira de dizer que o amava. Quando a roupa ficou pronta, muito tempo depois, quase lhe pareceu que o príncipe era um outro, tão diferente daquele que ela imaginava no silêncio do seu quarto. Mas havia então uma luz nova e intensa nos olhinhos dele, correndo pelos cantos sobre montarias invisíveis, combatendo heroicamente os monstros de sua própria solidão, seguro e corajoso, um homenzinho inteiro e sorridente. E assim, quando ele veio cabisbaixo, uma das mangas da blusa nas mãos, e disse envergonhado que "rasgou durante uma batalha", ela conteve as lágrimas que vinham dos cuidados com a roupa, acariciou sua orelhinha com o polegar direito e se apressou em uma voz que já falhava: "Eu estava vendo".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5302710778049023546-5185650689115851303?l=mapadagua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mapadagua.blogspot.com/feeds/5185650689115851303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5302710778049023546&amp;postID=5185650689115851303&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/5185650689115851303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5302710778049023546/posts/default/5185650689115851303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mapadagua.blogspot.com/2009/01/pequena-alegoria.html' title='Pequena Alegoria'/><author><name>Roger Dörl</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12652360361538417617</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
