sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O que fazer com as palavras

Algumas pessoas com quem eu cruzo, acabo enxergando apenas pela legenda: moça com frio, sozinha e sem medo no início de uma noite chuvosa; mãe voltando para casa com menino de 8 anos, sem nada para dizer e preocupada com as contas em aberto; homem pilotando caminhonete envenenada, falando ao celular com alguém que se importa com seu ego; etc.

Há dias e situações que eu reconheço apenas pelo possível título: O dia em que o pior tinha passado, antes de piorar; A noite dos muitos sapos; Sete estratégias para conseguir um encontro casual; O lado escuro de um ano de lua nova; Se passar numa farmácia, aproveite para me esquecer; etc.

O coração tem marcadores: erro, estrada, sempre, pulsação, Mário Quintana, azul, recreio, plêiade, Iansã, rosa amarela, bruma, tempo, dó com sétima, mangueira no quintal, a flor do teu vestido, vou tocar um jazz porque estou morrendo, etc, etc, etc.

6 comentários:

Vizionario disse...

O humor permaneceu na nova proposta. Perfeito. Vida longa aos seus mapas e águas.

Anônimo disse...

vale "a vida em que os carmas são superados"? a vida em que o índigo vira cristal? merci.

Roger Dörl disse...

virar cristal... gostei.

Namorada disse...

Puxa! Que interessante isso de assinar com seu próprio nome próprio! muito ... ah! me fugiu a palavra.

De onde vem as novas Águas? da chuva? das praias do SUL? das quedas d'águas da região??? enfim, que rolem as águas passadas e um brinde as novas... só basta saber se serão revoltas ou se manterão paradas, doces ou "salgadas"!!!!
bjs!

Anônimo disse...

é assim, meu amigo poeta, só é.

- o mais triste, pra mim, é saber que perdi os olhos de ver o dia com cara de ovo frito. -

(engraçado como erro, estrada, sempre e o jazz já não nos ligam mais que Iansã e a rosa amarela.)

Anônimo disse...

Como estou sem idéia de uma frase de efeito: gostei muito.

alvaro santos